terça-feira , 22 agosto 2017
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Artefatos da Ruína (06/07) – Ânfora da Gula

Ei, pessoas, tudo beleza? Ninguém pegou nenhum Artefato da Ruína, espero… Falando neles, estamos perto de terminar a lista. Hoje eu vou contar sobre a Ânfora da Gula, um item com uma origem trágica desde a sua concepção…

Um produtor de vinho teve dificuldades com as últimas colheitas, e por causa disso a cada ano ele tem produzido menos vinho e de menor qualidade. Ele já tentou de tudo, desde fertilizantes especiais a poções mágicas para pulverizar a lavoura, até mesmo oferendas aos deuses. Só que nada disso funcionava, parecia até mesmo castigo do Destino.

Foi nesse momento que ele, num instante de agonia, ele se ofereceu às forças demoníacas para um pacto. Um belzebu, um demônio da gula, ouviu a súplica desesperada do homem. Ele ofereceu ao homem dar uma colheita tão saudável e tão grande que seria necessário contratar dez vezes mais funcionários para colher tudo. Quando o homem perguntou o que ele queria em troca, o demônio riu e disse “Você saberá, não se preocupe com isso agora…” e desapareceu deixando uma pequena nuvem de fumaça sulfúrica.

Algum tempo depois, o homem viu abismado seus vinhedos carregados, tão carregados que ele sozinho levaria um ano inteiro para colher tudo. Contratou funcionários e todos trabalharam ao máximo para colher as uvas, e logo o depósito estava lotado. Tiveram que começar a produção do vinho antes mesmo de terminar a colheita.

Conforme a produção seguia e o vinho ia sendo engarrafado e vendido, os lucros iam subindo de forma vertiginosa. Em pouco tempo ele tinha o bastante para pagar as dívidas e o risco de perder a vinícola agora era apenas um pesadelo distante do passado.

No entanto, tudo estava pra mudar. O filho do produtor, um garoto de apenas 7 anos, adorava brincar na vinícola porque era cheia de coisas divertidas e quase nunca tinha gente trabalhando. Só que dessa vez tinha muita gente trabalhando. O menino foi brincar certa vez quando o pai estava na cidade vendendo o vinho, e ele acabou caindo num tonel de envelhecimento rápido. O pequeno tentou sair, mas as uvas amassadas e o vinho grosso o seguraram, e ele acabou se afogando. O pai só encontrou o corpo do menino dias depois, quando foi engarrafar o vinho que estava naquele tonel – o vinho estragado acelerou a decomposição, e tudo o que ele achou foi um resto de cadáver meio apodrecido usando as roupas do garotinho.

O pai urrou de fúria e arrependimento, amaldiçoou o vinho demoníaco e começou a destruir toda a produção que ainda tinha. Destruiu as garrafas ainda não vendidas, despejou ao solo o vinho ainda não engarrafado e incendiou os vinhedos. Mas teve uma garrafa que ele não conseguiu destruir…

Uma pequena ânfora artesanal, feita de argila pintada. O filho havia feito-a de presente ao pai, e era agora a única lembrança que ele tinha do garoto. O problema é que a ânfora guardava um pouco do vinho maldito, e acabou se tornando um receptáculo da maldição. O pai desistiu de tudo, queimou a vinícola e também a própria casa, construiu um pequeno mausoléu com o restinho de suas economias, guardou a ânfora lá dentro e se enforcou nos destroços da vinícola, pois o garoto era a única coisa que o mantinha com esperanças.

A ânfora, com o ressentimento do pai e recheada com o vinho potencializado pelas forças do belzebu, ganhou propriedades malignas. A única coisa nela que ainda lembrava a bondade do garoto era a pintura, alegre e infantil.

Ânfora da Gula – Item Amaldiçoado

A Ânfora da Gula é indestrutível, e o vinho contido nela nunca acaba e nunca estraga, sendo sempre o melhor vinho que o personagem já provou na sua vida.

Beber da Ânfora da Gula concede ao personagem imunidade a qualquer veneno (mágico ou não) que deve ser inoculado por ingestão.

O personagem que beber da Ânfora da Gula recebe uma maldição. Todos os dias, antes de comer, deve rolar um teste de Vontade (CD 15 + número de dias com a maldição). Caso falhe, o personagem exagera na comida, recebendo 1 ponto de dano permanente em Constituição e 1 em Carisma e ficando Fatigado. Apenas um Desejo ou Milagre pode remover esses pontos de dano permanente. Um personagem que chegue a 0 pontos de Constituição por esse efeito morre por algum problema relacionado a má alimentação.

A maldição não pode ser removida por meios normais, apenas por um Desejo, Milagre ou intervenção divina direta.

Essa ânfora é um dos itens mais perigosos, pois pode afetar multidões ao mesmo tempo e não precisa estar na posse de ninguém para isso.

Altus Potarium
Viajante das Realidades em Multiverso
Planeswalker, Guardião do Multiverso, Viajante das Realidades e manjador das p*tarias nas horas vagas.