sexta-feira , 24 março 2017
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[Crônicas Atormentadas] Capítulo 2: Atrasado

alma-vazia1   a.tra.sa.do, masculino
1. que acontece após a hora ou data prevista
– Paguei finalmente o aluguel atrasado.
2. não completamente desenvolvido
– Em Salsctick eles são teologicamente atrasados.

Dizia o dicionário. Quer dizer, dizer assim ele não dizia… mas estava escrito em tinta preta definindo o verbete atrasado. Não que o verbete estivesse atrasado, o atraso da situação pertencia ao leitor que demoradamente estudava o conhecimento a sua frente como se dele pudesse extrair alguma palavra a mais, oculta nas entrelinhas tão miúdas que são as do dicionário. Ele perguntava-se como podia ser algo tão simples assim, como podia ser só aquilo sem nenhuma relação em significado com a palavra atrás. Quer dizer, não com a palavra que estava atrás dela, mas com aquela formada pelas duas primeiras silabas das oito letras. Tudo sempre assumia uma série de significâncias confusas e desconexas na cabeça deste homem, pois ele não se julgava apenas um homem, ele era um poeta! Um poeta atrasado. Não que ele tivesse hora para chegar em algum lugar, ou que fosse pouco moderno no exercício de sua profissão, ocorre que a poucos instantes o oráculo olhou no fundo de seus olhos e disse: “Você está atrasado”. Num mundo onde existem deuses, quando um profeta diz-lhe algo, é bom saber exatamente o que isso que dizer e queria dizer uma coisa bem simples… Ocanto Deldalos estava atrasado.

poetry2_postEle segurava o velho dicionário com as duas mãos suspendendo-o no ar, trajava um colete azul do mesmo tom da calça e do olhar mais que compenetrado, a perfurar o livro na silhueta das letras como se tentasse arranca-las do manuscrito usando da visão. Um fio de cabelo azul caiu por sobre o olho esquerdo e pareceu quebrar sua concentração, num movimento abrupto ele largou o pesado tomo na mesa, puxou a cadeira e sentou-se. Abriu a primeira gaveta e empunhou na mão esquerda uma pequena caderneta. A mão direita como que ativada por uma programação sistêmica, automaticamente puxou uma pena dali de dentro e num único movimento molhou-a no tinteiro e com a sutileza do vento repousou-a ao topo da página. Baixou seus olhos e com um rompante voraz preencheu a página de cima a baixo. Lembrou-se de respirar, e então fechou os olhos com alivio. Abrindo-os para encarar sua obra com o rigor de um pai. Acrescentou uma virgula, e olhou para a pena em sua mão. Talvez ele estivesse atrasado mesmo, a maioria das pessoas já usava canetas tinteiro. Antes que sua mente desviasse de rumo, apoiou a sola das botas na mesa e inclinou a cadeira para trás, equilibrando-se apenas nas pernas traseiras.

Era hora do julgamento, o momento que decidiria se o poema seria queimado ou adicionado ao seu repertório. Caso fosse aprovado receberia uma marca arcana como selo de autenticidade. Limpou a garganta com um pigarro, e sem disfarçar os anos de tabagismo na voz, declamou baixo:

ATRASADO

Eu preciso encontrar tempo i_say__i_know_that_you_re_there_by_w_malavolta
antes que o tempo me encontre
expandir este meu pouco contento
olhar mais longínquo horizonte
Eu preciso encontrar tempo
antes que me falhe a contagem
dar uma forma a tamanho fomento
ver até onde vai minha viagem
Antes que o tempo me encontre
quero o sorriso de orelha a orelha
quero beber de todas as fontes
quero plenitude que só se vê em caveira
Expandir este meu pouco contento
antes que desaprenda seu significado
tornar-me um destes anciões em lamento
cegos para alegria de tão sábios
Olhar mais longínquo horizonte
quem sabe ver a aurora do universo
ver o fim de tudo aquilo que se compre
ver que só sou o mesmo em verso
Quando tudo isso acontecer
vou olhá-lo no olhos
vou sem voz então dizer

“VEJAS COMO ESTÁS ATRASADO
TODOS SABEM QUE ÉS INVENÇÃO
FAZES PARTE SÓ DO PASSADO
NO FUTURO ÉS SÓ PROJEÇÃO
QUANDO PRESENTE TE ESVAI NUM ESTALO
FAZES MAIS EM POEMA OU CANÇÃO
ENTÃO VEM COMIGO NOS OLHOS
POIS EU TE VEJO E O RELÓGIO NÃO
VEM QUE EU TE CARREGO
MESMO QUE EM VERSOS DE RIMA POBRE
É IMPENSÁVEL QUE VENHAS A PARAR
MESMO QUE TE CANSES EM MOMENTO NOBRE
NEM QUE EU TENHA DE TE APRISIONAR
NEM QUE EU TENHA DE VIVER A MORTE

“É…” pensava ele, as rimas estavam pobres e repetiam as mesmas letras em suas terminações, isso apesar de tirar um pouco o valor da obra estava meio que intencional como anunciado no trigésimo terceiro verso. Independente de tudo, Ocanto segurava a caderneta orgulhoso e com um sentimento de vitória. Fazia trinta e três dias que ele não escrevia nada e resolveu enrolar um cigarro para comemorar. A maioria das pessoas faria isso com bebida, acontece que Ocanto não era sequer humano pra começo de conversa, ele era um meio gênio, herdeiro dos elementos do vento. Isso podia ser notado pelo tom cinza em sua pele, pelos cabelos azuis na altura do queixo e pela marca cerúlea em seu peito cujo formato lembrava um pássaro. Os qareen, como são chamados, possuem linhagem mágica proveniente de antepassados fadas ou gênios . A marca em seu peito não é uma tatuagem, mas um símbolo arcano que identifica o seu povo e o elemento da sua descendência. Ocanto gosta de se referir a ele como seu selo de autenticidade, pois o símbolo é diferente para cada portador. Era portanto, um apreciador nato para o tabaco e qualquer outra forma de fumaça como incensos ou perfumes. Retirou da mesma gaveta em que estava o caderno um saco de fumo já desfiado que continham também algumas folhas de palha cortadas no tamanho certo, habilmente enrolou um cigarro como quem tamborila os dedos. Colocou-o na boca e proferindo algumas silabas ininteligíveis realizou um gesto com a mão fazendo surgir uma pequenina labareda no ar, onde ele pode acender o cilindro de folhas secas. Os qareen possuem magia no sangue.

marca arcanaEntre uma tragada e outra relia o poema, era de um vigor impar. Resolveu fazer uma prece em agradecimento a Anilatir, a deusa da inspiração. Conseguiu exprimir tudo o que sentiu no seu encontro com o oráculo. A figura misteriosa aparecera para ele no caminho de casa, quando ele voltava da taverna depois de uma noite pouco movimentada. Primeiro ele viu o minotauro, parado em pé a poucos centímetros de uma parede sem se aproveitar do descanso oferecido, em posição de guarda. Depois, viu o que parecia ser um ancião sentado à frente dele, com as pernas cruzadas na posição de lótus em cima de um tapete puído. Sem revelar seu rosto, o velho encarou-o olhos nos olhos, usando da luz no ângulo exato para que apenas um leve brilho de sua íris fosse identificado. Então disse o que disse, e parecia que não havia nada mais a ser dito naquela noite para o nosso poeta. Ele apressou o passo até em casa e agora tinha um poema novo em suas mãos. Ocanto frequentou uma escola de bardos em Valkaria quando era mais jovem, e era exatamente esse tipo de cena que iniciava muitos dos romances. Tinha um grande talento para a carreira, mas ganhar a vida tendo de expor a cara ao julgamento alheio não trazia-lhe apreço… gostava de escrever.

Deitou-se na cama para um cochilo, mas logo começou a pensar na caneta tinteiro. Objeto singular e bem engenhoso, imita o osso da pena mas é feito de metal. Sua família ia ir à falecia, os Deldalos eram uma família de comerciantes vindos do deserto da perdição e vendiam penas de todos os tipos. O artigo de luxo da companhia Deldalos eram as penas de escrita magistral sendo elas peças únicas feitas sob encomenda… mas não vendiam canetas.

Dormiu pensando no oráculo, uma jovem na taverna contou-lhe que o velho é somente um boneco e que a verdadeira identidade do oráculo era a de um minotauro ventríloquo pregador de peças. O anão Gaius jurou-lhe que não passavam de ilusões projetadas pelo regente de seu palácio, mas Ocanto acreditava que ele é um enviado de Thyatis que se perdeu.

– Certo, já que estou atrasado então é hora de buscar um novo horizonte, Triunphus é passado, daqui a pouco isso aqui vai estar superlotado de halflings que visitavam a cidade e foram pegos pelo Moóck. Era um pena para os preços do tabaco na cidade. As folhas de melhor qualidade eram sempre a dos pequeninos, os mais altos não tem a altura de um adolescente. Uma raça jovial e simpática que habita quase todo o reino de Hongari.

Ocanto não conversava sozinho, ele conversava com o pássaro azul em seu peito. Era seu familiar arcano, criado a partir do ar que ele respira. O pássaro azul em seu peito. Antes que desse conta, Ocanto estava sonhando com os grifos da guarda, penas de grifo não valiam muito em Triunphus.

Acordou, havia muito a ser feito. Calçou suas botas e desamarrotou suas roupas. Busco por matérias na escrivaninha e escreveu uma mensagem endereçada ao Editor Goblinalta em Valkaria:
“Caro Senhor editor, solicito que aprecie meu novo poema para a sessão do mês que vem da Gazeta. Já comecei a recita-lo pelas tavernas de Hongari, parto amanhã de Triunphus rumo a capital Valkarya. Irei o caminho todo recitando meus novos versos por ai e te envio eles conforme forem surgindo. Não esqueça que a verdade precisa das belezas destes versos sem os quais perdemos o fôlego.”

Enrolou o pequeno pergaminho e subiu ao corvário, onde escolheu sua ave mais saudável e amarrou-lhe o papel na garra. Abriu a janela e libertou o corvo enquanto as outras três aves aguardavam ansiosas pela sua vez de esticar as asas. Ocanto também iria esticar as asas em breve. Puxou sua mochila de viagens de cima do armário, estava em Triunphus fazia um ano e sobreviveu a 23 ataques do Moóck, o pássaro gigante que assola a cidade desde que o habitante mais velho daqui se lembra. Tinha esperanças de conseguir uma pena do monstro, mas ele não perdeu uma única plumagem em nenhum dos combates. A maioria das investidas – feitas pelos cavaleiros da guarda da Fênix e seus grifos – eram repelidas pelas caudas de serpente do monstro. Os guardas sabem que serão trazidos de volta a vida, mas ainda assim não se pode morrer muitas vezes. Morrer em Triunphus pode até não matar, mas você fica preso na cidade igual a um pássaro sem asas. A famosa benção/maldição de Thyatis, o deus da ressurreição é bem aceita por aqui pra ser sincero. Não fossem os ataques do Moóck seria um bom lugar pra morrer… digo, viver.

Juntou uma garrafa de rum e tomou todas aquelas pequenas providências de quem vai sair de casa por uns tempos. Colocou um estojo de penas e 2 frascos de tinta na mochila. Um pacote de papeis e quatro cadernos, um mapa dobrado e claro, um pequeno colar que abrigava um diminuto frasco de poção na ponta. Sua adaga de apontar lápis e 2 provisões de viagem. O qareen do ar não precisam de muita água para sobreviver. De qualquer forma isso não seria um problema. Dirigiu-se para o Martelo de Ouro onde encontro Gaius trabalhando em uma armadura. Gaius era um senhor anão muito simpático com linhagens dos reinos de Doherim, ele administra uma ferragem famosa na cidade. Afinal, ele sabia muitas histórias de aventureiros, e quem não adora histórias de aventureiros? Sua barba era farta e a barriga já formava o volume da idade.

– Hei Gaius, vou sair por uns meses. A Thaligia vai tomar conta da casa como o combinado, não deixa aquela baixinha ficar fazendo besteira lá. Ajuda ela caso aconteça algo de errado com a loja.
– Posso saber diabos aonde tu pensa que vai.
– Vou a Valkarya publicar um livro.
– Quando que você o escreveu?
– A viagem é longa, eu escrevo no caminho.
– Há, há, há. Sempre o mesmo… – ele riu já saudoso do amigo.
– Até.
Seguiu seu caminho até a taverna Olho do Grifo aonde a maior parte da guarda da cidade se reunia. Aqueles homens não gostavam de poesia, somente quando ela continha luxuria e palavras sedosas que eles repetiam às suas concubinas nas casa de Madame Stefania.
Por entre homens entornando cervejas, os assobios de um goblin que pensa ser algum tipo de bardo assobiador, Ocanto foi em busca de Thaligia. Com seu cabelo ondulado, ela estava atrás do balcão vestindo um avental por sobre o vestido marrom. Sua altura não era suficiente para alcançar o balcão em pé e ela estava sentada em uma banqueta alta.

– To de saída, adeus! Cuida da casa.martelinhos
– Ora, ora! Posso marcar o jogo de cartas para amanhã então?
– Desde que não entre no meu escritório faça o que quiser.
– Bobo, boa viagem! – ela disse com um pequeno sorriso
– Um brinde? – olhos nos olhos.
– Rum!
– RUM!

E eles beberam a bebida que já se antecipava por cima do balcão em dois pequenos copos feitos de metal. O sabor do rum era doce com um leve toque de caramelo. Isso trazia lembranças de seu tempo com os piratas. Thaligia costumava limpar o convés do porto por algumas moedas, “o senhor Deldalos” um dia parou e fez-lhe uma ofertaria que mudaria sua vida. Thaligia agora vivia em Triunphus cuidando do balcão de uma renomada taverna. A maioria das pessoas a tratava como uma criança, mesmo ela servindo-lhes bebida todas as noites.

– Eu vou sentir sua falta seu bastardo.
– Nem mãe eu tenho pra ti me chamar disso!

Ocanto largou o martelinho na mesa, e junto dele um cantil prateado que trazia no bolso. Estampado no cantil havia o desenho de um pássaro. O objeto fora presente de seu meio-irmão menor quando completou a maioridade. Desenroscou o frasco e deixou-o aberto no balcão e aguardou silenciosamente enquanto ela reabastecia o mesmo. Virou-se e partiu sem olhar para trás.
Despedidas nunca são fáceis, Ocanto Deldalos estava pronto para partir quando Gaius aparece com uma bussola em suas mão.

– Leve isto, é mágica e ira sempre apontar o caminho para casa. – estendendo o objeto.
– Ora minha cara, destino já sei o meu e prefiro escolhe-lo ao sabor do vento. Além disso sou alérgico a itens mágicos, coisa do meu sangue leviano – falou descontraído – só preciso de minha inspiração.

Ocanto Delda-los despediu-se de apenas mais duas pessoas na cidade e seguiu seu rumo para a primeira taverna, lá encontrou seu colega bardo Philipsen e tratou de fazer-lhe uma cópia de seu último poema. Ele não teria outro sopro de inspiração por mais quatro dias, Depois disso sabe-se lá até onde iria sua jornada, se chegaria até Valkaria… se escreveria o livro a tempo, ou ainda se encontraria algum amor além de pássaros.

Seus contatos na Gazeta não perdiam por esperar, traria versos que seriam capazes de revoluções sociais, de romances épicos, de tragédias infindáveis. Não existiam páginas em branco capazes de intimidar este intrépido sonhador avoado do jeito que ele é com suas ideias. Ele escreveria quatro livros ao longo de sua vida, mas uma coisa é certa. Já estava atrasado.

Empório das penas Azuis

O EMPÓRIO DAS PENAS AZUIS

O Empório das Penas Azuis é uma penha loja de penas para escrita e livraria. Aqui encontra-se materiais para criação de pergaminhos e também alguns livros de poemas variados. Um personagem que compre livros de poemas em busca de informação sobre algo pode realizar um teste de conhecimento de bardo sobre um tema especifico com modificador de + 17 por 30 tibares de ouro. Os livros são caros pois são copiados a mão.

O POETA DA PENA

Ocanto nasceu em uma caravana no deserto da perdição, seus pais eram comerciantes e recitavam poesia para ele todos os dias enquanto ainda estava na barriga de sua mãe. Quando jovem, iniciou-se nos negócios da família até que tomou conhecimento da escola de bardos na academia arcana. Cursou quatro semestres lá, mas abandonou o curso por falta de interesse, gostava apenas de escrever poesia e já havia aprendido isso muito bem. Juntou-se a um grupo de piratas por 2 anos, escrevendo poemas sobre as vidas que levavam antes de tornar-se homens do mar. Voltou aos negócios da família que havia se especializado na criação de aves e manufatura de penas para escrever. Abriu uma loja em Triunphus onde passou a morar com Thalita, sua serva, até pouco tempo atrás quando saiu em sua jornada à capital de Deheon.

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Ocanto Deldalos: qareen, Bardo 2/Amador Farsante 3/Nobre 2,
CB; Médio, desl. 9m; PV 83; CA 21 (+3 nível, +2 Destreza, +6 Auto-confiança);
Ataques:
Adaga OP (1d4+3 )
Adaga (Arremesso) OP (1d4+3 )
Magia Fajuta*
Habilidades:
conhecimento de bardo, musica de bardo 6/dia (fascinar, amedontrar, de bardo, baboseira arcana, magia fajuta, maldição dos tolos (-2), auto confiança, frivolidade, herança, orgulho 1/dia, ataque furtivo +1d6, voo, desejo, pequenos desejos;
Fort +4, Ref +7, Von +4 resistência a eletricidade e sônico 5;
For 10, Des 15, Con 12, Int 14, Sab 9, Car 23.
Perícias & Talentos:
Atuação (Oratória) +16, Conhecimento (Literatura) +12, Conhecimento (Urbano) +12, Diplomacia +16, Enganação +20, Furtividade +14, Identificar Magia +12, Obter Informação +16, Ofícios (Poesia) +12, Sobrevivência +9; Usar Armaduras (leve), Usar Armas (simples e marciais), Usar Escudos, Reflexos Rápidos, Vontade de Ferro, Familiar, Familiar Elemental, Ao sabor do destino, Vitalidade das Fadas. Equipamento: Poção da Cura Leve

LEIA O CAPÍTULO 1

W. Malàvolta
Porto Alegrense desde 1989 quando chocou neste chão e ficou por ali, cursou arquitetura na UFRGS... mas trocou para economia que era mais perto. Gosta de brincar com tudo que se crie: escreve, pinta, desenha, inventa, molda, compõe e vive. Boêmio, poeta, meio-dramático, amador, cheio de transtornos e contradições.
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