sábado , 22 julho 2017
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[Crônicas Atormentadas] Capítulo 3: PÓLVORA, SANGUE E PROGRESSO

“Você não vai gostar de mim, acho importante começarmos esclarecido isso. Eu sou uma pessoa vulgar, sou uma fanfarrona, e nunca percebo quando sou desrespeitosa. Você não vai gostar de mim e vai evitar minha companhia, porque eu tenho um jeito de expor pensamentos sem me importar com as consequências e acabo sempre parecer uma bomba rolando sem estopim ao redor de uma fogueira. Porque eu aparentemente sou indiferente às repercussões de meus atos, aos quais você achava serem parte de um plano que nunca foi elaborado. Porque eu não tenho medo de fazer piadas sem graça e de olhares de reprovação. Enfim, você não vai gostar de mim até que esteja bêbado feito um guaxinim ensopado. Nessa hora fatídica você vai me achar a pessoa mais legal do mundo e por isso eu sou a melhor taverneira que você pode contratar.”

            Com essas palavras Thaligia conquistou seu cargo atrás do balcão do Olho do Grifo, a mais prestigiosa taverna de Triunphus. O lugar era um recinto de alta classe, com paredes de carvalho e mesas com a carpintaria halfling de qualidade. A cerveja que serviam era um fermentado forte com sabor suave, produzido pelo próprio dono no porão.  Tinham sempre movimento durante todo o dia, pois localizava-se de frente para a grande praça comercial da cidade aonde o monolito de Thyatis brilhava com esplendor.  A clientela local era variada, desde comerciantes que vinham entornar uma cerveja ou duas, para aguentar o dia de trabalho, até boa parte do contingente da guarda da fênix que fazia da taverna o seu recanto de descanso após as exaustivas rondas pela cidade.

Thaligia            A frequência da guarda no bar, portanto, era duradoura. Sempre podia-se ver um ou outro guarda desvestido de seu uniforme, entornando canecos em pleno dia quando o sol ainda estava alto. Eles se revezavam, a metade da guarda que trabalhava a noite bebia lá durante o dia, e a metade que trabalhava de dia bebia lá durante a noite. Tal fato foi de inicio preocupante para Thaligia, pois não demorou para que seu passado como pirata virasse fofoca na boca dos clientes. A surpresa foi que ninguém parecia se importar, os dogmas de Thyatis diziam que todos tinham direito a uma segunda chance e o povo da cidade já tinha implementado isso em sua cultura. Eram muitos os casos de bandidos e aventureiros que vinham para a cidade santa procurando uma nova vida, de paz e tranquilidade.

            Amanheceu e Azgher, o deus sol, brilhava ainda baixo no horizonte. Thaligia ergue-se da sua cama de palha já começando a se arrumar.  Prendeu os cabelos castanhos em um pequeno rabinho atrás da cabeça, colocou seu vestido azul que era o preferido de seu amigo Ocanto. Olhando-se no espelho lembrou do poeta que devia estar a caminho de Valkarya ainda, completava-se hoje uma semana desde sua partida e pelas contas da pequena halfling ele devia estar saindo do reindo de Hongari a esta altura. Ela sempre ficava preocupada quando ele saia sozinho, o coitado era um verdadeiro cabeça de vento. Mordiscou um pouco de queijo e tomou seu rumo para o trabalho.

            A taverna olho do grifo pela manha reluzia seus adornos em cobre ao sol trazendo uma linda vista para os olhos. Com o raiar do sol os bêbados e morinbundos tomavam o rumo de suas casas e o turno matinal da guarda da cidade desfrutava seu café da manhã antes de assumir seus postos. Razghadum era o nome de seu patrão, um anão magrelo que fora exilado de Doherimm ainda jovem por vender bebidas ilegais. Ele a esperava atrás do balcão já se despindo do avental e dizendo:

            – Bom dia Thali, assuma logo aqui que eu preciso descansar para o show de hoje a noite. O príncipe Tilano deve chegar para a tarde e já deixei os quartos prontos. Quem diria que um príncipe optaria por ficar hospedado em uma reles taverna, hein?
– Nunca vou entender esses nobres putinhos.
– Deve ser coisa de bardo…

            Tão logo Thaligia apanhou o avental o anão ruivo precipitou-se em direção à porta de seus aposentos soltando um bocejo cansado. Ela entendia seu patrão por preferir trabalhar de noite. Durante o dia as pessoas eram comportadas e sorridentes. A noite libertava o caos de nosso verdadeiro ser. Quando ocorriam as brigas de taverna mais violentas e os cantos de amor mais verdadeiros.

            O dia foi curto apesar de todo o alvoroço com a chegada do bardo e seu cortejo. Ele não vestia nada da cintura para cima e tinha o cabelo escuro e curto, com um bronzeado natural na pele típico da ilha de Khubar. Ninguém parecia conhecer a terra de onde o tal sujeito era príncipe. Ele retirou-se para o seu quarto para preparar-se e seus criados decoraram a taverna com papeis coloridos com cores fortes. As pessoas começaram a chegar mais cedo do que o de costume para o movimento da noite.  Ainda era dia, Tilano e seus companheiros bebiam antes do show. Parece que sua presença atraia todos da cidade para ouvir suas ultimas composições.

Subitamente o falatório da taverna cessa. Um silêncio místico toma conta do recinto por alguns segundos causando estranhamento a todos que se olham perturbados. Surgem sete intrusos com vestimentas cheias de babados, casacas e capas compridas. Cada um deles porta duas garruchas e todos disparam ao mesmo tempo contra Tilano e sua trupe, voam farpas de madeira, estilhaços de ossos e carne. O ar é tomado pelo fedor de sangue e pólvora. O mais alto deles, um homem careca e caolho fala algumas palavras esquisitas rompendo o silencio, e os piratas desaparecem tão rapidamente quanto surgiram. Tilano jaz estirado no chão, metade de seu crânio pulverizado pelas balas. As pessoas começam a gritar.

Thaligia agachada atrás do balcão olhava todo aquele sangue derramado. Olhava a guarda perplexa pelo ocorrido. Olhava as portas da taverna balançando enquanto os assassinos fugiam invisíveis. Não conseguiu deixar de conter o sorriso, parece que Triunphus havia ganhado um novo bardo residente. A Cia dos Canalhas fazia mais uma vítima.

Alguns minutos depois o Capitão Gargel e sua trupe já estavam fora do olho da lei, em seu esconderijo no porto da cidade velha de Triunphus. Batiam canecos e cantavam:

“Dormir pra quê??
Se o dia pertence aos fracos

Nobres escravos, pobres senhores
A quem tentamos enganar?

Corram pra toca
Fujam da ilha
Tranquem a porta
Escondam suas filhas

S-a-i-b-a-m quem não querem encontrar

Afiando o fio da navalha
A companhia de canalhas

Por onde fumaça se espalha
A companhia de canalhas”

O Capitão Gargel assistia seus camaradas beberem do seu trono de madeira enquanto pensava em qual seria a próxima ação do bando. Ele pouco sabia sobre o homem que o contratou, certamente era um morto-vivo pelo cheiro, e uma vez que eles estavam amparados pela guilda de Severus, era provável que fosse um servo de Hyninn.

As ordens do morto-vivo haviam sido bem claras. Matar qualquer pessoa de valor que pisasse em Triunphus para que se tornassem novos moradores. Tudo em nome do progresso da cidade santa. Em breve, haveriam doutores vindo de Salstick, nobres valkarianos e bardos vindos de todo o reino: todos presos pela benção maldição na cidade. Seu patrão era meticuloso. Pessoas de todo Reinado haviam sido atraídas para lá sob os mais diversos pretextos. Tudo parecia muito bem planejado, ele só não entendia como poderia a cidade progredir com os constantes ataques do Moóck, a águia vermelha de duas cabeças que infernizava a cidade.

O mês por vir seria o mais sangrento desde a fundação da cidade.

A COMPANIA DE CANHALHAS

            Um grupo de piratas sanguinários que atua como uma força paramilitar na cidade de Triunphus. Eles atuam como aliados secretos da guilda Severus, que lhes concedeu abrigo em um esconderijo no porto velho. Conhecidos por executarem atos terroristas pelo que denominam ser para o bem de todos. Estes desalmados homens um dia foram médicos, mas foram aliciados pelo capitão Gargel sob promessas de riqueza e glória a uma vida de bandidagem. Gargel os ensinou a usar pistolas e com seu conhecimento anatômico o resultado é um massacre de precisão cirúrgica. Eles iniciaram suas atividades nos mares da ilha de Khubar, e buscam uma aposentadoria na cidade de Triunphus onde poderão obter sua segunda chance pela fé de Thyatis. A operação de rotina deles é bem simples, Gargel é um feiticeiro capaz de lançar a magia esfera da invisibilidade e silêncio para ocultar o bando. Eles posicionam-se, disparam e então fogem, novamente invisíveis.

CAPITÃO GARGELcapitao careca

Robusto, careca e com a barba farta. Usa um tapa-olho negro e tem dentes faltando. Suas vestes são cinzas e cheias de babados. Sua personalidade é perversa, arrogante e safada. Capitão Gargel vem duma longa linhagem de piratas. Costumava ser só mais um até o dia em que se aliou a Eiliv em busca de aventuras. Obteve poderes arcanos ao entrar em contato com um artefato ancestral vital para a campanha (podendo ser uma boa fonte de informações se corretamente estimulado) e carrega consigo o mapa de sua localização.

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Capitão Gargel possui o talento liderança e anda sempre acompanhado de pelo menos 3 de seus 8 capangas (Lad3). Na formação de batalha posicionam-se os 8 ao redor de Gargel tornando impossivel alveja-lo com ataques corpo-a-corpo. Se dispararem todos ao mesmo tempo ao comando do capitão, depois de ele usar esfera da invisibilidade, com suas 2 pistolas serão 16 ataques furtivos de pistola beneficiados pelo talento conhecimento anatômico. Cada ataque feito com bônus de + e margem de sucesso decisivo 17-20/x3 tendo como dano 2d6+3. É CHUMBO GROSSO! Provavelmente algum jogador VAI MORRER. Um dos motivos metajogo deles estarem sendo criados residindo em Triunphus é pra caso dê TPK role continuar jogando por causa da benção/maldição da cidade.

PS: A música companhia de canalhas é da banda Confraria da Costa

LEIA TAMBÉM:
CAPÍTULO 1 – SOB A SOMBRA DA FORCA
CAPÍTULO 2 – ATRASADO

W. Malàvolta
Porto Alegrense desde 1989 quando chocou neste chão e ficou por ali, cursou arquitetura na UFRGS... mas trocou para economia que era mais perto. Gosta de brincar com tudo que se crie: escreve, pinta, desenha, inventa, molda, compõe e vive. Boêmio, poeta, meio-dramático, amador, cheio de transtornos e contradições.