quinta-feira , 14 dezembro 2017
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Entrevista com o autor do projeto A Lenda de Materyalis

Olá aventureiros!

Bom, creio que a maioria de nós certamente já ambicionou algum projeto atrelado a RPG. Acho que, a partir do momento em que você se apaixona por RPG, tudo que o cerca, parece dar ensejo pra um universo de possibilidades. Sistemas próprios, criaturas sobrenaturais inventadas, adaptações de filmes/desenhos/animes/games/etc, desenhar, escrever contos, escrever um livro, fazer uma peça de teatro, enfim, tudo passa a ser motivo para você tentar mesclar com RPG.

Talvez alguns de vocês tenham tentado encarar algo de uma forma mais séria, como a criação de um livro inteiro de RPG, ou simplesmente escrever um romance baseado num sistema de RPG. Apesar disso, no fim, seus afazeres diários, ou aquela tal da preguiça, foram maiores, levando todo aquele monstruoso projeto ao esquecimento.

Hoje temos uma entrevista com o escritor do projeto Materyalis, Saymon Cesar. Um rapaz que, depois de muitos anos de perseverança, agora pode vislumbrar o início de seu sonho.

Sou extremamente suspeito para comentar sobre este projeto, na medida em que, participo dele desde seus primórdios, quando a internet ainda era discada, no saudoso chat da uol (ALGUEM AQUI CERTAMENTE JÁ BRINCOU NISSO, NÃO ME DEIXE ME SENTIR VELHO SOZINHO!). Justamente por isso, deixarei que vocês façam seu próprio julgamento, a partir desta entrevista.

De toda sorte, antes da entrevista, gostaria de registrar meus parabéns à Saymon Cesar, por nunca desistir, mesmo diante de todas as dificuldades enfrentadas! Continue o bom trabalho!

Conheçam o Site do Projeto: https://www.materyalis.com/

Conheçam o Fórum, onde os jogos são realizados: http://materyalis.mo-rpg.com/

Conheçam a página do facebook do projeto: https://www.facebook.com/lendamateryalis

ENTREVISTA

1. Olá Saymon. Sente-se, agora você está em meus domín… Erm, digo… Olá querido! ^^ Vamos começando logo com isso, não é mesmo? Pra quem não conhece o projeto, e muito menos, quem é você, vamos tentar falar um pouquinho sobre isso. Conte sua idade, profissão, cidade, RG, CPF, endereço, telefone   No que consiste a Lenda de Materyalis atualmente? Maaaaaas não fala muito não, se não o povo cansa u_u

Primeiramente, foi bom você ter falado para eu não me estender muito (talvez por que já me conheça, não?). Se deixar, falo pelos cotovelos. Então resumirei ao máximo 🙂

A Lenda de Materyalis é um projeto literário de fantasia com aspecto colaborativo. Basicamente, criei um universo onde povos de diversas raças se confrontam num mundo tomado pela hostilidade de uma guerra ideológica extremista. Os jogos ocorrem por fórum e os participantes criam personagens que se posicionam nesse conflito, escolhendo uma das oito ideologias disponíveis e, após um período de avaliação, integram no projeto de um dos futuros livros, onde narro às interações e eles interpretam os personagens em tópicos feitos no formato de capítulos. Ao término de determinados períodos, compilo tudo o que jogamos e reescrevo o texto em crônicas, com todos os envolvidos ajudando na revisão para garantir que os principais detalhes não sejam perdidos. Por fim, começa o trabalho de revisão da editora até o esperado lançamento.

Bom, quanto a mim, tenho 31 anos, sou formado em design gráfico, especializado em web design e gestão de projetos, muito bem casado, com família e amigos maravilhosos e um filho canídeo. Sou jogador de RPG oficialmente desde os meus 10 anos. Já joguei de diversas formas: Mesa, chat, fórum, até por e-mail. Restrição zero nestes mais de vinte anos de estrada =) Pra mim o que importa é a diversão.

2 - ultimo-dia

 

2. Certo, certo. Vamos falar um pouquinho sobre a sua relação com o RPG.  Como conheceu e como foi seu primeiro contato com RPG? Você ainda joga? Qual o seu sistema predileto?

No meu aniversário de 10 anos, eu ganhei de um amigo o livro-jogo “A Cidade dos Ladrões”, do Ian Livingstone.  Como desde pequeno eu levava regras muito a sério, seguia as opções à risca e não bisbilhotava outros caminhos além daqueles que o livro conduzia. Lembro que também levava pra escola para “narrá-lo” para os meus amigos, já que eu lia e eles escolhiam as ações. Até que um dia um amigo levou outro livro-jogo e, quando eu esperava que ele fizesse o mesmo que eu, ele simplesmente colocou o livro fechado na mesa e começou a descrever o cenário, mandando eu e outros colegas fazermos o que quiséssemos. Aí eu perguntei por que ele não abria o livro e ele me explicou que isso era o RPG, jogo que não lhe dá caminhos pré-definidos, mas permite que você pense na descrição do mestre e faça o que bem entender. Achei muito divertido, pois permitiu que eu criasse as minhas possibilidades. Daí pra frente, não parei mais. Confesso que isso deu muita dor de cabeça para alguns professores ao longo de mais uns quatro anos =/

Eu estou 100% dedicado ao projeto. Já faz tempo – mais de dez anos – que efetivamente não me reúno com amigos para jogar. Simplesmente não teve alguém entre nós que destinasse foco para organizar um encontro em nome dos velhos tempos. O tempo não é uma desculpa, simplesmente nossas prioridades mudaram. Mas no meu caso, uma delas é justamente o RPG, então mesmo por fórum, foi uma ótima saída para esse hobby e ainda evoluiu para um projeto magnífico, que reúne pessoas por todo o Brasil e me trouxe muitos novos amigos.

Por fim, pra mim quanto mais simples for um sistema, melhor. Por isso meu preferido é o Storyteller. É o tipo que vai direto ao ponto e as regras são rápidas, acessíveis e fáceis.

3. Hum, maneiro! Sobre a história do Materyalis (SEM NENHUM INTERESSE, AFINAL, EU NEM PARTICIPO DESDE O COMEÇO!)… Conta aí pra nós. De onde surgiu essa ideia maluca? Como tudo começou?

O início do Materyalis vem de um conjunto de fatores. Eu sempre estudei diferentes culturas e a forma como elas tentam explicar a origem da vida. O conflito de ideias entre religião e ciência sempre me causou muita curiosidade e fascínio. Ao mesmo tempo, em 2004, eu estava há um tempo sem jogar RPG e quis retornar, mas já tinha alguma limitação de tempo por causa do trabalho e decidi que a melhor forma seria jogar por fórum. Mas queria lançar uma ideia diferente, alguma coisa que fugisse do padrão. Eu quis criar uma analogia entre um mundo de fantasia com o nosso cotidiano. Foi aí que eu pensei em escrever uma trama baseada num conflito ideológico que falasse sobre a relação contraditória entre crenças, e a forma como podem ser radicais quando querem defender suas ideias. Então, reuni um grupo antigo que jogava comigo por chat entre 2002 e 2003 e eles abraçaram a ideia. O fórum nasceu, cresceu e chegou a respirar por aparelhos entre 2011 e 2012. Mas no final deste mesmo ano, voltou devagar até a consolidação do projeto.

3 - dotter

Imagem da personagem Dotter Manen, seguidora da ideologia Emylismo

4. Bom… Não deve ser nada fácil trabalhar num livro, meio que contando com a ajuda dos outros. Se uma pessoa demora muito pra postar, ou simplesmente some, creio que isso deve atrasar todo o seu cronograma, né? Muitas pessoas desistiram no meio do caminho? Qual foi a sua sensação quando isso aconteceu?

Não há dúvida que atrasa. Como todo projeto sério, temos metas a cumprir. Tem que haver uma constante que depende do comprometimento de cada um. E às vezes é difícil fazer as pessoas entenderem que o Materyalis não pode mais ser encarado somente como diversão. Transferir êxito para uma ideia exige disciplina e responsabilidade. Mas as pessoas têm seus projetos e outras prioridades. Eu não posso exigir que elas estejam vidradas o tempo todo no Materyalis, porém a estabilidade é necessária. Os membros precisam se mostrar interessados mas também se sentir motivados, de forma que isso não seja mais um complemento de estresse em seu cotidiano. É preciso fazê-los perceber sua importância sem pregar uma doutrina de obrigatoriedade. Por isso flexibilizei ao máximo a frequência semanal de ações que os membros precisam fazer. Quem participa hoje foi convidado porque acredito no talento que possuem e o quanto podem agregar ao universo d’A Lenda de Materyalis. Então naturalmente, quando alguém sai, chateia, mas como um líder, é importante ter sensibilidade. Cada caso deve ser avaliado separadamente. O projeto literário iniciou efetivamente em abril do ano passado e, desde então, apenas seis membros saíram. Destes, cinco sumiram. Apenas uma foi sincera, conversou comigo e disse que não estava conseguindo se dedicar. Com uma pessoa que age abertamente, você tem que ser compreensivo. Eu lamentei que ela saiu, mas mantemos contato até hoje e ela é uma fiel torcedora do sucesso do projeto. E destes números, nenhum foi por um desentendimento comigo ou com outros jogadores. Foi porque desapareceram sem qualquer sinal, inexplicavelmente, o que não dá pra entender depois de você explicar exaustivamente para que uma pessoa não tome esta atitude e como prejudica quando ela age assim. Em compensação, sou um eterno otimista. O projeto tem mais de quarenta pessoas envolvidas fixamente há mais de um ano, batalhando dentro das suas possibilidades e acreditando na ideia. Alcançar um resultado assim por tempo prolongado é muito difícil em fóruns. Por isso prefiro pensar no orgulho que tenho de cada um que está lá agora.  

5. Ai gente, ele não é adorável?!?!?!?! u_u Erm… Eu sempre me pergunto quão exaustiva deve ser a sua rotina. Trabalhar, e após um cansativo dia, chegar em casa para trabalhar mais ainda! Quantas horas e dias da semana você dedica ao projeto? Quais os maiores obstáculos que você enfrentou nesse meio tempo?

É exaustivo sim. Digo-lhe sem pensar que o maior obstáculo foi conciliar o cansaço diário com a jornada de trabalho e o nível de atenção que o projeto necessita. Trabalho em média oito horas por dia só no Materyalis. Em alguns casos já cheguei a doze horas, principalmente durante a revisão do livro. Demoro em média uma hora e meia para chegar do trabalho até em casa, descansava um pouco, e partia para a revisão dos textos, além de manter tudo organizado no fórum. É bem difícil. Mas tem que ser responsável com a própria saúde também. Sei me preservar e tenho bastante apoio em casa. Tem que haver um momento para teclar off, fazer as ideias ganharem novo fôlego, e por isso meus fins de semana são quase sagrados. Só trabalhei sábado e domingo quando já estava nos ritos finais para o lançamento do livro ou quando houve uma grande emergência no projeto.

4 - hirlun

Imagem do personagem Hirlun Imlach, seguidor da ideologia Emylismo

6. Cara, não é possível… de onde você tira tanta força de vontade e determinação?!

Esse projeto é um sonho, um objetivo de vida. Pra que perder tempo reclamando? Eu tenho um bom trabalho, tenho uma família para me apoiar, amigos por todos os lados no projeto e fora dele. Eu sou um felizardo por ter tudo isso. O trabalho é positivo. É através dele que o sonho saiu do mundo das ideias e ganhou vida. Deixo a fantasia para o cenário d’A Lenda de Materyalis. Tenho é que aproveitar a realidade que surgiu do sonho através do trabalho árduo, mas que realizou uma bela história ao longo de todos estes anos e que evolui a cada dia. 

7. Own… Que fofinho! *-* Bom, depois de toda essa batalha,o primeiro livro foi lançado, e recentemente, você fechou contrato com uma grande editora. Por favor, conte-nos sobre os sentimentos que foram deflorados ao perceber que todo o esforço empreendido, finalmente, parece mais palpável.

Na verdade o resultado já é bem palpável. São muitas sensações boas. O primeiro volume do livro A Lenda de Materyalis: As Crônicas de Aliank, garantiu experiências incomparáveis. Enviei a obra para oito editoras e todas quiseram publicá-la, o que é muito difícil de acontecer no país. Ter o trabalho reconhecido é fantástico. O contrato com a editora Novo Século foi mais uma vitória. Simplesmente é difícil explicar. Eu vi minha família feliz, pessoas que nem gostam desse tipo de obra com sorrisos largos só pela felicidade de ver essa realização. Vi a equipe motivada e ansiosa, compartilhando com seus familiares e amigos também, que se orgulharam dos intérpretes que participaram desse primeiro livro. Vi os parentes e amigos dos membros cheios de expectativa para chegar logo a hora de vê-los compartilhando essa conquista. Também tive a sensação ímpar de olhar para a caixa com o estoque de livros vazia, pois tudo foi vendido. A experiência dos livros chegando em casa, comigo e minha esposa embalando para enviar para as residências. Enfim, é fenomenal e estou certo que ainda tem muita coisa boa por vir com o relançamento com a nova editora.

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Imagem da personagem Liliel, seguidora da ideologia Emylismo

8. Eu realmente acredito que tudo deve ter sido incrivelmente mágico! Como é “trabalhar” com tantos jogadores diferentes? Tem que ter muita paciência?

Quando você trabalha com muitas pessoas, se você não for paciente, atrai um ambiente ruim. Sensibilidade é fundamental. Respeitar diferenças é um pré-requisito para participar. E isso precisa começar comigo. O que procuro passar a todos é uma filosofia básica: Não reclame! Use o tempo que você perderia murmurando para detectar uma falha ou um problema para, juntos, encontrarmos uma solução. Sou totalmente acessível para ouvir, ler ideias, debatê-las. Não sou perfeito nem posso agradar a todos, mas com uma conversa respeitosa sempre chegaremos num entendimento. Nosso foco não são os problemas, é a resolução deles e construção de ideias para o projeto evoluir. É simples se você se propõe a agir assim. É neste modelo que trabalhamos e tem dado retornos muito positivos.  

9. Belas palavras cara. Simplesmente não posso deixar de discordar! Bem, fale mais sobre o desenrolar e futuro de Materyalis… Daqui pra frente, quais os próximos passos? O projeto está seguindo dentro do planejado?

Primeiro temos que consolidar o projeto, apresentá-lo ao grande público, fazê-los sentir e entender a profundidade da trama. O relançamento do primeiro livro ocorrerá em meados de 2016. A partir daí poderemos medir o sucesso da obra e garantir o plano para o lançamento de muitas outras. O universo d’A Lenda de Materyalis foi criado para ser vasto e deixar a criatividade das pessoas aflorar. Existem outros projetos paralelos com a marca e pretendemos levá-los a diferentes públicos. Felizmente, tudo está indo além do planejado. O projeto literário iniciou em 2014, com pouco mais de um ano de edição até o primeiro livro, e caminhou a passos rápidos para a progressão. O contrato com a Novo Século aconteceu em menos de um mês após o início da distribuição do livro ainda em seu período de pré-venda. Temos todos os motivos do mundo para sermos otimistas.

6 - morhariel

Imagem do personagem Morhariel, seguidor da ideologia Teryonismo

10. Estou tão ansioso para essa evolução! Quão importante é o papel dos jogadores no livro? Tudo que acontece durante as aventuras realmente vai para o livro ou você faz/fará algumas alterações?

Esse é um diferencial do projeto. Os jogadores são a essência dele. Os atos dos personagens realmente influenciarão lá no final e os leitores perceberão isso. Eu mesmo não sei como será. Eu mesmo posso me surpreender. Claro que tenho uma base e um direcionamento, mas por várias ocasiões, já fui surpreendido por turnos inusitados e tive que parar pra pensar profundamente como conduzir aquela situação descartando minhas ideias de antes, com o desafio de manter os eventos interessantes. É um processo de grande complexidade. Quanto as edições, elas são comuns em qualquer obra literária, e pode ser que determinadas coisas sejam mudadas, acrescentadas ou retiradas para que a história fique mais cativante. É parte do trabalho, mas sempre com a anuência dos envolvidos no livro de forma que a essência jogada no fórum seja mantida. Foi o que ocorreu com as Crônicas de Aliank e deu certo. 

11. Hum… Mais importante! Materyalis já tem um final fechado? Ou tudo realmente dependerá do que ocorrer nas aventuras?

O que posso te adiantar é que existe uma verdade sobre a lenda. As ideologias explicam Materyalis de diversas maneiras. Alguns creem nele como um deus, outros como um fenômeno, e há quem diga que é apenas uma história criada por alguém para criar uma conveniência. Os personagens tanto podem chegar a esta verdade, como podem ser induzidos a crer numa grande mentira, ou mesmo não chegar a um veredito. Tudo realmente depende deles. 

7 - sarlakros

Imagem da personagem Sarlakros Darkenyns, seguidor da ideologia Marilismo

12. OMG! PRECISO SABER…. Droga u.u Quando ficar rico, vai esquecer dos pobres? XD Brinkz… Bom, deixo esse espaço pra você falar o que quiser, mas dedique um pedacinho pra todo mundo que participa do fórum. ACHO, SÓ ACHO, que eles vão gostar…

Isso não vai acontecer (esquecer de quem quer que seja). E se acontecesse, você teria esse registro para usar contra mim =) 

Mas minha mensagem final é que vivemos em um país onde diariamente reclamamos da falta de oportunidades, o que é um erro. Temos talento suficiente para provocá-las, fazê-las acontecer, mesmo com recursos escassos. Eu sou um exemplo disso. Repito que o tempo que muitas vezes passamos discursando sobre coisas erradas seria precioso para mudá-las, ou mesmo realizar sonhos. Eu acredito nisso e os resultados têm sido muito satisfatórios. 

Acho que todas as pessoas que estão hoje no projeto captaram essa ideia e estão lá, acreditando, trabalhando, mas principalmente se divertindo. São talentos que poderiam estar engavetados como muitos outros, mas me sinto intensamente feliz por ver e sentir a satisfação deles a cada conquista, e também de perceber o prazer que sentem ao se ver como parte de uma grande história. Eles são minha fonte de inspiração e certamente continuaremos a construção de um projeto incrível. 

Convido a todos a conhecer o projeto e, quem sabe, fazer parte da equipe =)

8 - final

praet0r~
Gameplayer em Rolando Dados

Assalariado do setor privado; vítima da realidade, mas sonhador em essência; RPGista desde 2002; gamer; adora um lolzinho =^^=


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