terça-feira , 22 agosto 2017
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F.A.T.A.L. – O RPG mais polêmico e complicado da história

Ok. Tire as crianças da sala, pois vou falar sobre o mais polêmico, matemático, violento, sádico-sexual e desnecessário sistema de RPG que a humanidade já viu. Sim, vou falar sobre F.A.T.A.L.!

Para quem, ainda não entendeu o aviso acima, esse post contém muitas coisas relacionadas a sexo e violência, portanto, se você é uma criança, CLIQUE AQUI e não leia o resto do post!

F.A.T.A.L. é um RPG de fantasia com um foco incomum em violência sexual. Seu nome original era a sigla para Fantasy Adventure To Adult Lechery (Aventura de Fantasia para Luxúria Adulta em uma tradução livre) e suas 900 páginas eram distribuídas gratuitamente em 2002.

Já a segunda edição, em sua forma mais comercial, continuava se chamado F.A.T.A.L., mas agora significava From Another Time; Another Land (De Outro Tempo; Outra Terra), o que não mudou muito seu conteúdo, apenas acrescentou algumas páginas de pura inutilidade absurda.

F.A.T.A.L. clama por ser “o RPG mais difícil, detalhado, realista e historicamente/miticamente correto”, mas acaba sendo apenas um sistema complicado, doente e idiossincrático.

F.A.T.A.L. é um RPG como nenhum outro. Com mais 150 profissões (muitas delas completamente inúteis), sendo pelo menos 10 delas variações de prostituição, 200 habilidades e 500 magias (tudo com muito apelo sexual), o livro chega a quase 1000 páginas de muitos cálculos aritméticos e complicações desnecessárias.

A criação de personagens é uma etapa tão chata e demorada (podendo chegar a incríveis QUATRO HORAS para você terminar sua querida ficha), que o livro acompanhava um CD ROM com um gerador de personagens, além de uma trilha de Trash Metal gravada na casa do autor. Por falar nisso, a ficha tinha nada menos que OITO PÁGINAS, sendo três só para características!!!

No livro não tem censura não!
No livro não tem censura não!

O jogo é tão misógino e deturpado sexualmente que, ao montar a ficha do personagem, o jogador precisa rolar o tamanho de seu órgão sexual, tamanho do mamilo, circunferência potencial da vagina, circunferência anal e suas preferências sexuais. Muitas habilidades e magias têm o cunho sexual, como por exemplo a magia “oroanal”, onde a vítima passa a comer e defecar pelo mesmo orifício, podendo ser a boca ou o ânus, sendo que o outro orifício é fechado magicamente… eca!

Havia tabelas para tudo, mas as mais destacadas e desnecessárias são as tabelas de “capacidade anal”, por assim dizer. É uma coisa tão terrível que eu tenho até dificuldade de descrever, mas a porcaria da tabela tinha até quantos dedos (ou objetos, para não falar outras coisas) o ânus de um bebê aguenta antes de sofrer dano…

fatal-tabela-circunferencia-anal

O jogo também incluía sacrifícios de retardados (sim, essa é a linguagem usada no livro) para adquirir poderes mágicos… depois não sabem o porquê da mídia falar que RPG é demoníaco.

O sistema era tão detalhado que chegava a ser ridículo. Só de carisma, haviam quatro tipos (facial, vocal, cinética e retórica!), além de 25 atributos e 50 outras características a serem gerados por rolagens e tabelas que muitas vezes tinham 1000 itens, ou seja, você precisava rolar um 1d1000 (não me pergunte como!), que te fazia rolar outro 1d1000 para a outra tabela para onde foi jogado pelo resultado da tabela anterior!

fatal-exemplo-tabela

O combate no F.A.T.A.L. é tão complexo que você precisa rolar dados várias vezes e comparar o resultado em tantas tabelas que é melhor nunca começar uma briga. Tem uma tabela, inclusive, para determinar qual hemisfério do cérebro foi atingido pela facada… e outra pra determinar os danos cerebrais e consequências… cansei só de pensar.

No fim das contas, F.A.T.A.L. é sim muito complexo e detalhista, mas nada realista, só mesmo chato e complicado.

E o livro ainda contava com muitas gírias, erros gramaticais, redação sofrível, ilustrações toscas que sempre focavam em mulheres nuas e pênis à mostra ou fotos toscas do autor com seus amigos usando qualquer coisa como armas.

Byron Hall
Byron Hall

O doente autor, Byron Hall, tentou se defender com comentários em vários sites, mas suas respostas somente demonstraram ainda mais seu narcisismo e arrogância, contribuindo para afundar ainda mais o F.A.T.A.L.

Hoje em dia, o site fatalgames.com virou mais um daquele cheios de joguinhos em Flash e o autor do F.A.T.A.L. sumiu… Graças aos deuses!

Enfim, F.A.T.A.L. é o sistema de RPG que não precisava existir e, caso você tenha se interessado em adquirir, sugiro que você procure um psiquiatra procure em sebos e lojas que vendem raridades, pois ele não é mais comercializado desde 2006.

Notas

Sistema (Extremamente complicado)
Cenário
Tabelas (odeio tabelas)

Nota final

User Rating: 1.9 ( 3 votes)
Oneiros
Autor em Rolando Dados
Formado em Sistemas de Informação, amante de culinária e RPGista desde 1999, mestre desde... nem se lembra, conhecedor e pesquisador de sistemas de RPG, tem o estranho costume de falar sobre ele mesmo na terceira pessoa... o.O
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  • Felipe Egaô

    Só um conselho, apague o post!

    Obviamente que entendo sua opinião sobre o assunto, mas isso seria um prato cheio para um fundamentalista que não mostraria a opinião dos RPGistas sobre o Sistema e sim o próprio Sistema que não é difícil achar na internet.

  • Panon Corvo da Tempestade

    Não seria ético esconder uma informação só por que ela pode ser usada contra você. A verdade é que existem pessoas sem nocão, e uma delas escreveu esse livro de RPG. Tem o sistema do Varg Vikerns tb, que é outro doente hahaha

  • Os problemas em qualquer área precisam ser mostrados para que possam ser corrigidos ou até mesmo excluídos de um universo que aparentemente todos aqui se preocupam. Existir um conteúdo como esse sistema é o que é sim um prato cheio para “fundamentalistas” (?) enquanto existir um post como esse é o que podemos usar como resposta sadia ao debate, é o que podemos usar para mostrar aos usuários uma opinião mais racionalizada.

    Expor os problemas para resolvê-los é inclusive uma técnica de boa administração.

  • Felipe, eu entendo a sua opinião e a respeito, porém, como já foi mencionado em outros comentários, não acredito que meu artigo seja um prato cheio para os que você chama de “fundamentalistas”. Penso o contrário, já que, se alguém usar meu artigo, seria de bom grado que me chamassem ou ao menos me dessem a chance de discutir o assunto. No texto ficou bem claro que não aprovo o sistema, é apenas um artigo informativo. Mas obrigado por sua opinião. Volte sempre e comente, pois é assim que sabemos se nosso trabalho está sendo bem feito. TODA e qualquer opinião é muito bem vinda e será discutida pacificamente, como essa. Mais uma vez, muito obrigado!

  • Vou pesquisar esse do Varg Vikerns para fazer um artigo também, obrigado!

  • “Expor os problemas para resolvê-los é inclusive uma técnica de boa administração.” – A frase da semana. obrigado!

  • Ézem Damasceno

    Aliás, F.A.T.A.L é um jogo que NÃO PRECISAVA DESTE POST, para ficar esquecido pela ETERNIDADE. Agora não adianta mais. :/

  • Andrey
  • Murilo Lamegal

    Pra facilitar Oneiros…
    O sistema se chama MYFAROG.
    Conhecendo o autor, dá pra esperar alguma coisa bem bizarra/preconceituosa/com altas doses de loucura.

  • Ezem, quando eu fiquei sabendo desse sistema não acreditei, então me mostraram e eu fiquei boquiaberto. Sempre que comento que isso existe alguém me olha com cara de dúvida, então resolvi fazer esse post para deixar claro de uma vez por todas que isso existe sim, que eu não gosto e que nem todo RPGistas é um cara bacana e decente.

  • Ézem Damasceno

    Desculpa, cara. Continuo com a minha opinião que esse tipo de lixo deveria ser esquecido. Isso não é RPG. Nem chega perto de ser RPG. Isso deveria, sim, ser motivo de cadeia pra quem participou dessa palhaçada. Oneiros, desculpe meu ponto de vista meio agressivo, mas é por causa desse tipo de babacas que o RPG demora décadas para subir um degrau na boa fama, descendo três na má fama.

  • Edson Sorrilha Filho

    Achei que ninguém mais tivesse coragem de fazer uma resenha sobre esse
    jogo, kkk!!! Até hoje esperam que eu faça a parte dois da resenha lá no
    Saia da Masmorra, o que obviamente, não vai ocorrer 🙂

    Parabéns pela coragem!

  • Márcio Azevedo

    D1000 são 4d10 sendo 1 para o milhar, outro pra dezena e assim por diante… 😉

  • Eu fui apreçado e acabei falando só sobre o D1000, mas tem até D10,000 com tabela par a todos os resultados! Bem desnecessário, né?

  • Parabéns também, ainda bem que não sou o único louco! kkkkkkkk

  • Concordo. E sua opinião é sua opinião, respeito isso.

  • Lucas Stalker

    “Oroanal”. Meu Deus, fico imaginando que dorgas ainda podem existir nessa porcaria ;-;

  • Melhor não imaginar.

  • lendo essa matéria, só consegui me lembrar do infame nacional “Seres do Inferno”