quinta-feira , 23 novembro 2017
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Gloom: sky is gray, the tea is cold

Hoje vou apresentar para vocês Gloom! Um cardgame + storyteller bem pouco convencional, mas apaixonante! Foi um dos primeiros jogos modernos que eu comprei e valeu muito a pena. Nele o objetivo do jogador é deixar sua família o mais triste e miserável possível (sim!) até a morte. Pois é, parece meio mórbido (e é), porém é bem divertido.

O jogo permite até quatro jogadores (utilizando apenas o base), sendo quatro famílias com cinco personagens para jogar – nas expansões vêm novas famílias -, cada uma já tem sua história inicial que está contada no manual. O pano de fundo é importante porque o jogo além de ser card game é também storyteller, ou seja, além de jogar as cartas para deixar os personagens tristes você vai ter que inventar um enredo para eles. E essa é a melhor parte! Normalmente uma partida dura em torno de uma hora, ele é indicado para maiores de 13 anos por ter um tema meio sombrio.

As quatro famílias que compõem o jogo original são as seguintes:

Blackwater Watch

Uma família bem tradicional, comandada pela matriarca, é composta também pelo faz-tudo super prestativo que mantém as coisas no lugar assassinando quem discorda da velha senhora. A querida Angel que tem tudo pra seguir os passos da vovó, o primo Mordecai que é a ovelha branca da família e provavelmente tem seus dias contados e o cão que sabe onde todos os ossos foram enterrados.

Dark’s Den of Deformity

Um freak show meio esquisito do jeito errado (?). Darius Dark é o grande chefe desse circo que tem atrações interessantíssimas como o homem barbado, o palhaço assustador, a mulher tatuada que tem o corpo coberto por tatuagens e morre de vergonha de mostrá-las, e a pequena e medíocre cantora de ópera.

 

Hemlock Hall

O lorde patriarca perdeu sua amada esposa no parto dos adoráveis gêmeos, que foram possuídos pelo demônio, mas pelo menos eles têm sua babá que os ensina os mistérios das artes das trevas. A irmã mais velha, Lola só quer saber de se divertir e o mordomo prefere se abster de tudo.

Castle Slogar

Professora Helena é digna das histórias do Dr. Frankenstein, para manter sua família viva e unida ela faria qualquer coisa, inclusive conservar o cérebro de seu marido numa caixa, trazer a filha de volta a vida, e fabricar um ursinho vivo para lhe fazer companhia. Tudo isso com a ajuda de seu fiel coveiro, claro.

Jogando

A mecânica é simples, cada jogador será responsável por uma família e precisa deixá-la infeliz. Para isso usaremos as cartas com modificadores. O baralho todo é transparente, porque a ideia é ir sobrepondo as cartas e acumulando os efeitos que são vistos através delas.

Cada carta é composta por quatro partes:

O título: que resume a situação que está acontecendo (no caso de Lord Slogar “teve um piquenique no parque”);

Os modificadores: se localizam no canto esquerdo da carta (as bolinhas) sendo as vermelhas os marcadores negativos, ou seja, aqueles que são bons pra você e os cinzas são os positivos, que devem ser jogados nas famílias dos colegas.

O efeito: nem todas as cartas possuem um efeito, mas as que têm afetam o dono da família na qual a carta foi jogada e não quem jogou, geralmente é algo como comprar/descartar cartas, diminuir/aumentar limite da mão ou pular uma rodada (no caso do exemplo “compre duas cartas”);

Desenvolvimento: na parte inferior, em itálico, existe sempre um complemento pra acrescentar ao storytelling (“Um jarro de vinho, uma fatia de pão e uma alcateia de lobos nas árvores”).

Os personagens só pontuam realmente quando estão mortos, e ele só poderá ser morto quando estiver com pontuação negativa. Então você que tentar matar sua família com o máximo de pontos negativos possível e fazer com que os dos outros jogadores morram com – 5, -10 ou até 0, por exemplo. O jogo termina quando todos os membros de uma família estiverem mortos e vence quem tiver menos pontos.

Na sua vez o jogador irá fazer duas jogadas, a primeira pode ser qualquer tipo de carta (modificador, morte ou evento) e a segunda não pode ser morte a menos que um efeito especial permita.

Podemos ver na foto acima que infelizmente Balthazar morreu sufocado por um osso, assim o personagem dele vale agora -20 pontos porque era sua pontuação quando faleceu.

Os eventos são as cartas de texto vermelho que permitem fazer alterações consideráveis no jogo como ressuscitar personagens, trocar cartas de morte, trocar modificadores, eliminar personagens entre outros.

As cartas são muito auto explicativas, é bem tranquilo ir aprendendo conforme se joga, pois algumas têm efeitos específicos que você terá que observar ao longo do jogo.

Gloom é muito divertido de jogar, principalmente quando se tem um grupo muito criativo, as histórias acabam ficando muito, muito loucas, como um cérebro que contraiu sífilis após ter um relacionamento sórdido com um ursinho de pelúcia.

único ponto negativo que eu consigo elencar é ser em inglês, acaba limitando bastante e nem sempre é possível ver mesa, mesmo que a gente tente traduzir acaba perdendo várias referências engraçadinhas do jogo.

Ainda não aprendi a jogar com as expansões (logo, logo), fiz a tradução do jogo base e pretendo traduzir as expansões também, tudo estará disponível na Ludopedia quando pronto.

É um jogo que eu recomendo bastante e viu/vê muita mesa, mesmo em inglês, acaba gerando muito risada e emendamos duas, três partidas por vez.

Chaiane A.Q.

Viciada em livros e boardgames, crazycatlady com muito orgulho, nas horas vagas curto escrever e fotografar, minha felicidade é poder juntar todas essas coisas numa só.


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