quinta-feira , 25 maio 2017
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Artefatos da Ruína (02/07) – Harpa do Lamento

“Olá, bem vindo novamente! Como o prometido, vim lhe mostrar o item de uma serpente. Propagador de morte e sofrimento, saído do mais profundo inferno, é chamado A Harpa do Lamento. Várias canções criou a harpa, lindas, penetráveis aos mais profundos corações! Mas em contrapartida, simples e desiludida, trouxe consigo um rastro de má sorte, criando também a destruição e a morte.”

“Ora, pois, meu caro leitor; trocarias ti tudo pelo amor? Amor de uma plateia, pois assim pensou o bardo em busca de uma alcateia. Seguidor fanático, sedento por sua música, tal remédio homeopático. Mas não era assim que se fazia sua história, desprovida de glória, de mistério. Pois o bar em que tocava, se assemelhava ao mais escuro cemitério. Moscas na comida, uma vida desiludida. Saía sempre cabisbaixo, cheio de desgosto e dor; seguiria, pois, os sonhos de seu pai? Tornar-se-ia mercador?

A poesia lhe chamava, em seu profundo meditar, clamava ao estar sozinho. Enquanto, no entanto, blasfemava em sua ruína, cruzou um homem seu caminho. – Beleza eu vejo em sua melodia… – disse-lhe de bom grado. – Podes me dizer se meu ouvido lhe valia? Vislumbro seu semblante, tão soturno e mal amado; estavas eu naquele bar, simples e descuidado.

Responderei sua proposta com o próximo diálogo do texto:

– Desculpe-me meu bom homem, não quero lhe parecer deseducado; não seu ouvido, mas minha música não vale mais que desagrado.

– Pois eu lhe vejo no futuro, desalinhando multidões. Não mais nas mesas de bar, e sim nos mais belos corações… Aceite então meu instrumento, pois fui também um dia bardo, uma harpa de finas cordas, hoje a mim não mais que um fardo.

– Agradeço-lhe meu amigo, mas sem poder aceitar. Pois não carrego dinheiro comigo, e sinto que deveria lhe pagar… – Pague-me com seu alaúde! E em seus dedos, eu saúdo, à saúde! Saúde que fecha sua antiga cova, nova vida; vida nova.

Aceitando então sua oferta, o bardo se foi de expressão aberta; acreditando na mudança, a fé sagrada da esperança. E então, no dia seguinte, procurou mais de um ouvinte; no mercado da cidade, famigerado berçário da maldade.

Seus dedos movimentaram-se levemente e estava plantada ali a semente.

Para sua agradável surpresa, havia beleza em seus acordes; e todos aqueles que ali estavam, paravam, sorriam, dançavam. Estendendo seu chapéu, fez o bardo sua riqueza; mil vinténs de cobre e prata! Ó sublime e vil lindeza!

Ao passar o tempo, fez o bardo seu tesouro. Compôs então o seu lamento, em seu castelo d’ouro. Doou então quase tudo que tinha, sem nada perder, sua riqueza ia e vinha. Templos, orfanatos, albergues, todos lucraram com sua súbita decadência. Sem clemência, doou também a harpa, presenteou-a a outro bardo, pois já estava de vida farta. Apenas com a roupa que vestia, sua solidão subia; de encontro à garganta.
E no fim de sua história, exemplo de frustrada má sorte, encontrou-se então com a morte. No fundo de um pequeno riacho seus pulmões não aguentaram; explodiram em um não tão raro desespero. E viu então, em última visão, nadando, linda carpa. A escuridão lhe tomou para si, e soube, que a culpa fora da harpa.”

Harpa do Lamento – Instrumento Musical Amaldiçoado (2 mãos)

Tocar a Harpa do Lamento automaticamente torna o personagem seu portador. Ele não pode se livrar dela de qualquer forma, e mesmo que ela caia de suas posses ou seja roubada ela reaparece magicamente consigo.

O portador da Harpa do Lamento recebe +15 de bônus em todos os testes de Atuação.

Todos os dados das músicas de bardo são dobrados.

A cada semana, o portador da Harpa do Lamento perde 2 pontos de Sabedoria permanentemente. Esses pontos perdidos só podem ser recuperados com Desejo ou Milagre, mas apenas depois de se livrar da Harpa da Depressão.

Caso o portador da Harpa do Lamento chegue a 0 pontos de Sabedoria, ele perde completamente a vontade de viver. O portador então deverá doar todos os seus itens e posses, incluindo a Harpa do Lamento (única forma de passá-la adiante sem um Desejo ou Milagre), e cometer suicídio após isso.

Existem apenas três formas de o portador se desvincular da Harpa do Lamento: por meio de um Desejo, um Milagre ou doando-a ao chegar a 0 ou menos de Sabedoria.

Imagem de capa: Sad Sweet Music BW by Delaney La Fae

Altus Potarium
Viajante das Realidades em Multiverso
Planeswalker, Guardião do Multiverso, Viajante das Realidades e manjador das p*tarias nas horas vagas.
  • Gilmar Junior

    Belo material, tão belo quanto desesperador…