quinta-feira , 22 junho 2017
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Loucura de amor

Mais uma briga entre Thaís e sua família, sua homossexualidade incomodava e irritava seus retrógrados pais. Não aceitavam que ela não gostasse de homens, seu pai já havia lhe deserdado e sua mãe até padre chamou para “Exorcizar” seu demônio. A maltratavam e a humilhavam, ela pensou N vezes em se matar, não aguentando toda a pressão familiar, mas um anjo apareceu e salvou sua vida, aliviando um pouco suas emoções e lhe trazendo certo acalento, Denice era seu nome, uma morena de estatura baixa e longos cabelos castanhos, de sorriso simples, que encantava Thaís de forma ímpar. Não demorou muito para que ela se tornasse o amor e sua vida.

O Dia dos namorados estava chegando e Denice pediu para que Thaís passasse a data longe de casa, que se afastasse de toda aquela ladainha dos seus preconceituosos pais e aproveitasse o dia da melhor forma possível. Assim Thaís fez, no dia dos namorados, colocou sua melhor roupa e foi passear. Usava uma calça social, camisa branca, uma gravata preta folgada e um sobretudo pardo, seu cabelo era curto, parecia mais um homem do que uma naqueles trajes. Seus pais ficaram irados diante daquela visão e começaram a esbravejar, mas não se importou, colocou fones de ouvido com uma música bem pesada, e saiu para encontrar seu melhor amigo.

Eles passaram a tarde toda em uma tabacaria, fumando cachimbo, bebendo uísque e proseando sobre aleatoriedades, falavam de seus namoros e de como que ele estava feliz em ver sua melhor amiga, que considerava como uma irmã, a salvo nos braços daquela mulher que Thaís dizia amar tanto.

A noite começou a cair e os amigos se despediram, cada um deles tomando o rumo de suas casas para comemorar com suas parceiras aquele dia. Chegando na casa de Denice, tocou a campainha e já sentiu o cheiro de comida tomar o ar, algo agradável, mas ainda sim diferente ao olfato, mas que deixou Thaís salivando. Sua mulher abriu a porta e sem delongas lhe puxou para dentro, dando um beijo quente e luxurioso. Denice estava exalando um cheiro estranho, era algo ferroso e peculiar. Thais demorou a perceber que Denice cheirava a sangue, um odor leve, porém notório. Não questionou, tendo em vista que sua amada estava cozinhando.

O jantar demorou um pouco a sair, um suculento pedaço de carne assada com especiarias exóticas, banhado a um molho diferente, mas que Thais reconheceu ser algum tipo de molho pardo, devido ao gosto forte de sangue, o que justificou também o odor que sentiu antes. Se acabou de comer pois estava delicioso.

Após horas de janta, conversas, carícias e amassos, Denice puxou Thais pelo braço direto para o quarto dizendo com um sorriso malicioso no rosto:

– Tenho uma surpresa para você.

Subiram depressa, era o momento mais esperado do dia por ambas. Chegando no quarto, Thaís viu uma grande caixa branca sobre a cama, com quase um metro e meio de comprimento com noventa centímetros de largura e um laço vermelho enorme sobre a tampa:

– Abre, é o seu presente! – Disse Denice com uma voz sensual.

Sem cerimônia, Thais foi até a caixa com um enorme sorriso no rosto, arrancou o laço sem nenhuma delicadeza e retirou a tampa, mas ao ver o que tinha dentro soltou-a e quase vomitou.

Havia um… não… dois corpos mutilados ali dentro, com membros decepados, cabeças decapitadas e deformadas, apoiadas no peito daqueles cadáveres. Reconheceu aqueles corpos depois de um tempo, eram seus pais, o fundo da caixa era de um rubro intenso e nitidamente gosmento, sangue coagulado e vísceras espalhadas por todo o interior da caixa. A mãe não tinha um pedaço do braço direito e aquilo fez com que ela quase vomitasse novamente, pois o pedaço faltante tinha o mesmo formato da carne que comeu mais cedo.

Thaís caiu no chão e ao olhar para Denice, viu-a com uma faca de cozinha, toda manchada de sangue espesso e escuro, sua face tinha um sorriso maníaco e um olhar doentio que brilhava. Começou a se afastar dela com um pavor enorme, se arrastava no chão indo para trás tentando fugir daquela figura psicopata, chegou um momento que encostou suas costas na parede, olhou para os lados e se viu sem saída. Denice se aproximava calmamente de Thaís com aquela faca em mãos, se agachou, ficando da altura de sua namorada e disse com um tom de voz sombrio:

– Agora, minha linda, nada vai impedir de ficarmos juntas para sempre, chega de pressões e problemas… Eu te amo minha vida… Feliz dia dos namorados…

Arte da capa: Bloody Valentine by moofy-the-destroyer

Ítalo Guimarães
Escritor
Amante de cachimbos, poker, blues, rpg e escritor, Ítalo é autor de "Poker com o Diabo" e outro títulos vindouros.
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  • Alexander Weber

    Muito bom. Sinistro demais e incrivelmente bem escrito. Continuem postando.

  • Pois é Alexandre, o Ítalo vai publicar contos por aqui sempre que a agenda dele permitir. Pode esperar por mais, com certeza. E leia o livro dele, é muito bom! Te a resenha aqui no site, se chama Poker com o Diabo.