sexta-feira , 24 março 2017
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Artefatos da Ruína (04/07) – Máscara da Inveja

Opa, sempre pontual, você, não? Gosto muito disso, pontualidade normalmente é um bom traço de caráter.

Certo, direto ao ponto. Artefatos da Ruína. Já contei sobre a Máscara?

Esse é um dos itens mais conhecidos por causa das histórias que a cercam. Intrigas e mistérios envolvendo a realeza e grandes nomes da alta sociedade. Mas é bom explicar a origem de tudo, né?

Um reino próspero seguia com a economia cada vez melhor, mas na família real as coisas não estavam tão bem… O rei estava doente por muito tempo, e em seu leito de morte nomeou o filho mais velho como novo rei. O irmão mais novo não admitia, achava o outro um preguiçoso e despreparado. No entanto, para seu próprio descontentamento, o novo rei, depois de assumir o trono, continuava levando o reino para a prosperidade.

O irmão invejoso, então, buscou nas artes da magia proibida uma forma de assumir o lugar que acreditava que merecia. Buscou em tomos e grimórios da área proibida da biblioteca real, que havia sido lacrada pelo pai deles por conter conhecimento inerentemente maligno, e encontrou alguns encantos e rituais de invocação que poderiam lhe render algo interessante. Fechado em seus aposentos, ele iniciou o ritual de invocação mais poderoso que encontrou, tendo em mente seu desejo mais profundo, o de tomar o lugar do irmão. Alguns dias depois, acreditando ter sido enganado pelos escritos antigos, um leviatã saiu de dentro do grande espelho no quarto dele enquanto ele terminava de despertar. Os leviatãs são os demônios da inveja, especializados em atormentar e “ajudar” quem deseja o que já tem dono, se alimentando desse desejo e de almas corrompidas por essa vontade.

Esse leviatã ofereceu um acordo. Em troca da alma imortal do príncipe após dez anos, ele oferecia um meio de ele assumir o trono no lugar do irmão. O príncipe, consumido pela inveja e pela oferta “irrecusável” (e ignorando a parte em que o demônio ficaria com a sua alma), aceitou o acordo sem pensar duas vezes. Ele e o demônio apertaram as mãos e o trato foi selado, e o demônio desapareceu em uma nuvem de fumaça de enxofre, deixando uma máscara na mão que selou o acordo.

A máscara, fornecida pelo demônio. Não é visualmente atraente, mas seus poderes…

O príncipe colocou a máscara e, para sua surpresa, no espelho ele não via mais a si mesmo: via o irmão, o rei. Sorriu malignamente e retirou a máscara, guardando-a para um momento oportuno.

Ele se tornou mais próximo do irmão conforme os dias passavam, o rei acreditando que ele finalmente aceitou o destino e desistiu de lutar contra isso. Um dia, ambos saíram para caçar sem a escolta real, o rei não gostava que eles o acompanhassem nesses eventos (“Vocês são barulhentos e espantam a caça”, ele dizia). Nessa ocasião, ele aproveitou-se de um momento de distração e atravessou uma flechada certeira na garganta dele. Trocou de roupas com o rei e vestiu a máscara, depois jogou o corpo do irmão em uma área qualquer da mata fechada e voltou.

Agora ele era o rei, e quando chegou nos arredores do palácio todo manchado de sangue foi indagado sobre o que aconteceu. Disse que um gato gigante, tigre, onça ou qualquer coisa assim os atacou de surpresa e pegou o príncipe desprevenido, e que ele teve sorte de escapar. Após um funeral sem corpo para o príncipe, o invejoso mascarado assumiu definitivamente a identidade do rei. Infelizmente, o irmão mais novo não era tão bom administrador quanto o mais velho ou o pai, e o reino começou a perder qualidade de vida.

Dez anos depois disso tudo, o reino já não era mais tão brilhante quanto antes. O rei ainda não tinha se casado nem deixado herdeiros, pois acreditava que todos que se aproximavam dele queriam apenas se aproveitar de sua posição. Uma noite, o mesmo leviatã que fez o acordo anos atrás saiu de dentro do espelho, buscando seu pagamento. O invejoso implorou, tentou barganhar mais alguns anos, mas acordo era acordo. O demônio agarrou a máscara no rosto dele e a puxou, a alma saindo do corpo colada à máscara e o leviatã a devorou, sugando-a pela boca como quem puxa fumaça de cigarro. O corpo do príncipe dado como morto, agora sem a ilusão, desabou sem vida. O encontraram apenas três dias depois, quando a putrefação começou a expelir o cheiro desagradável da morte.

A Máscara da Inveja continuou fazendo suas vítimas, sendo oferecida pelo mesmo leviatã a novos usuários a cada dez anos. O último usuário que eu tenho notícias era um velho banqueiro que tomou o lugar do neto, jovem, bonito e desejado pelas mulheres.

Máscara da Inveja – Item Amaldiçoado

Fazer um acordo com o leviatã torna o personagem o portador da Máscara da Inveja. Ela não pode ser detectada por qualquer meio além de o próprio portador mostrá-la, e não pode ser vista enquanto o portador a usar. O portador não pode se livrar da máscara, e mesmo que ela seja perdida ou roubada ela reaparecerá em suas posses.

Usar a Máscara da Inveja transforma o personagem em uma cópia fiel do alvo de sua inveja. A magia é indetectável e a farsa só pode ser percebida caso o usuário da Máscara falhe em copiar as ações da pessoa imitada. Quem achar ter notado algo errado pode realizar um teste de Percepção com CD 20 + modificador de Carisma do usuário da Máscara para tentar perceber que aquele não é o verdadeiro. Em caso de falha, aquela pessoa não pode realizar mais testes na mesma semana.

Após 10 anos em posse da Máscara, seja usando-a ou não, o leviatã ressurge para cobrar seu pagamento. Nesse momento, nada será capaz de impedir que ele leve a Máscara e a alma do portador, cancelando a magia e deixando um corpo inerte e sem vida.

As únicas formas de escapar de ter sua alma devorada pelo leviatã são por um Desejo ou Milagre para quebrar o contrato (o que anula os poderes da máscara e a mandam de volta para o leviatã), ou matando o leviatã antes que ele leve cobre a dívida (nesse caso, os poderes da Máscara se mantém).

A inveja é conhecida como um dos sentimentos mais mesquinhos e destrutivos da humanidade. Essa Máscara só existe pra comprovar isso.

Altus Potarium
Viajante das Realidades em Multiverso
Planeswalker, Guardião do Multiverso, Viajante das Realidades e manjador das p*tarias nas horas vagas.
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