quinta-feira , 30 março 2017
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RPG – Todo sistema é bom

Vamos parar de rolar dados por alguns minutos e pensar um pouquinho sobre os sistemas. Porque tantos jogadores se estapeiam dizendo que tal sistema é bom e tal sistema é ruim?

Eu jogo RPG desde 2002, mestro desde 2003 e até hoje não conheci nenhum sistema realmente ruim! Na minha humilde opinião, o sistema é tão bom quanto a competência do mestre.

Depois que conheci o RPG, saí procurando um sistema que mais me agradasse, mas tal busca só me fez perceber que não existe um sistema perfeito, e nunca existirá. Cada sistema tem suas vantagens e desvantagens e cada mestre deve conhecer bem os sistemas para saber qual vai suprir melhor suas necessidades.

GURPS (Faça um teste para respirar)

GURPS

Ah, o GURPS. Acho que é o sistema que os jogadores mais amam odiar.

Já joguei GURPS, e já mestrei também! Sim, existem muitas regras no manual. Sim, existe regra para quase tudo. Mas não, o mestre não precisa e nem deve usar todas.

No início do manual já é dito que o GURPS é um sistema modular, o que significa que funciona em módulos, e o mestre deve usar os módulos uteis em sua aventura. Se o mestre acha que vai ser interessante adotar um teste para um jogador cavar um buraco, as regras estão lá, mas se o mestre achar desnecessário, pra que rolar os dados?

Uma coisa que o RPG deve ter como regra universal é a diversão, logo, se você é mestre e vai usar o GURPS, não use todas as regras, conheça bem o sistema e use o necessário para que seus jogadores se divirtam.

Aliás, uma das melhores aventuras que joguei foi mestrada por uma amigo meu usando o GURPS!

D&D (O rpg eletrônico de mesa)

D&D

Agora serei atacado por fanboys do D&D e levar golpes de espada e magias na fuça até morrer.

D&D, o primeiro e mais famoso RPG, é também conhecido como uma excelente vídeo game de mesa… e eu adoro cutucar jogadores de D&D com isso. Isso tudo se deve às inúmeras tabelas para tudo que você vai fazer. Tais tabelas se tornaram mais notáveis na edição 3.5, mas na quarta edição isso virou um inferno. Claro que isso é minha opinião e, como eu disse no início do post, tudo depende do mestre.

Eu já joguei a edição 3.5 e tive ótimas aventuras usando ele. Isso tudo porque, novamente, depende do mestre e dos jogadores quando usar o livro e quando deixar de usar.

Como disse meu amigo Caça_XP, o bom senso é a parte mais importante de uma mesa de RPG, junto com a diversão, claro.

Outro amigo meu, Peter-Genius, quando morou em Curitiba, jogou Dark Sun com um grupo de lá. Apesar de ele também ser fã do Sistema Daemon, assim como este que vos escreve, ele relata altas aventuras usando o sistema D20 na edição 3.5 de D&D. Isso ocorreu porque o mestre era competente e sabia usar as regras e tabelas a seu favor para prover diversão a seus amigos.

Mundo das Trevas (Dados infinitos)

mundo-das-trevas

Indo na contramão, mas nem tanto, do D&D, o Storyteller e Storytelling usam muitos dados e isso acaba travando muito o combate do sistema. Mas aí é que está, o sistema foi feito pensando na interpretação e resolução de problemas sem a troca de tapas, apesar da tensão permanente e uma iminente explosão estar sempre a acontecer.

Eu joguei Storyteller por anos e sempre me diverti. As histórias bem trabalhadas, os npcs bem planejados e o mestre competente conseguem levar você tão profundamente imerso na trama que quando você rola 728 dados e soma seus sucessos isso não é nada, pois sua mente está querendo saber o que vai acontecer depois.

Sistema Daemon (O GURPS brasileiro)

daemon

Esse é o meu preferido, mas nem todo mundo gosta dele. Já ouvi falarem que ele quer ser o GURPS, justamente por ter regras para tudo. Mas, posso dizer por experiência própria, ele é mais fluído e mais fácil de aprender que o GURPS.

O Sistema Daemon usa a porcentagem em seus testes, que na minha opinião gera uma sensação de realismo. Além disso, por ser grátis e aberto, sua gama de fãs já fizeram adaptações para diversos cenários, desde Pulp Fiction até Cavaleros do Zodíaco. Hoje em dia ele aparenta estar meio abandonado, encolhido no canto, sem muitas novidades, mas quem sabe o que o futuro nos reserva, né?

Como eu já falei, seus fã já fizeram diversas adaptações e materiais complementares aos sistema básico e meu grupo, inclusive, joga com algumas adaptações home made dele. Mas é justamente aí que entra o bem senso e o mestre, o que usar e o que não usar. Um mestre despreparado pode ficar desesperado com tantos números, já que o D&D usa poucos, mas o Sistema Daemon se baseia em porcentagem e, portanto, os testes sempre terão um valor entre 0 e 100, facilitando a vida do mestre na hora de ver se o jogador acertou ou não o golpe, sem tabelas e usando apenas 2d10.

3D&T (Muito simples)

3d&t

A proposta do 3D&T é justamente ser simples, mas alguns jogadores o consideram simples demais.

Eu acho que o 3D&T é o melhor sistema para introdução de jogadores ao RPG. Tem poucos números, usa quase só d6 e o jogador pode pirar na criação de seu personagem, fazendo desde um cavaleiro medieval a um robô transformer alienígena. Mas e depois? E quando o grupo achar que o sistema é muito simples e já cansaram de destruir mundos com Genkidamas? Então, meu amigo, é hora de escolher qualquer outro sistema e continuar se divertindo.

Enfim…

…claro que não vou falar de todos os sistema existentes, pois eu nunca terminaria esse post, então falei dos que eu mais conheço.

Acho que deu pra perceber que o sistema não é o problema, é a solução, basta que o mestre escolha o que mais lhe agrada, estude-o para saber sair das frias que os jogadores criarão e que o grupo se divirta. Se você não gostar de nenhum, crie o seu. Até a próxima!

Oneiros
(en)Rolador em Rolando Dados
Formado em Sistemas de Informação, amante de culinária e RPGista desde 1999, mestre desde... nem se lembra, conhecedor e pesquisador de sistemas de RPG, tem o estranho costume de falar sobre ele mesmo na terceira pessoa... o.O
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  • Ivan Barion

    Não vou comentar o que foi dito de cada sistema listado, mas discordo plenamente da afirmação principal do texto que diz “todo sistema é bom”, baseando-se na falacia de que “depende do mestre”.

    Mas enfim, recomendo a leitura (caso ainda não conheça) de um texto do Ron Edwards sobre sistemas. O texto já antigo e muito da discussão que ele levanta já evoluiu bastante, mas vale muito a leitura:

    http://www.indie-rpgs.com/_articles/system_does_matter.html (em inglês)
    http://rpgista.com.br/2010/11/29/sistema-importa/ (traduzido)

  • Ivan Barion

    E também sou bastante averso das afirmações que jogam toda (ou sua grande maioria) responsabilidade de uma boa sessão de RPG nas costas do mestre, isentando sistema, cenário e, principalmente, os outros jogadores.

    Quanto mais isso é repetido no mundo RPGistico mais mestres frustrados devem estar por aí se culpando (e as vezes até desistindo de mestrar) por experiencias ruins que talvez tenham pouco a ver com eles.

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