domingo , 23 julho 2017
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RPG vs Celular, Tablet, Gatinhos e Vacas Enlatadas

Essa é uma briga centenária, se não milenar, nas mesas de RPG. Quando o jogador fica mexendo no celular, tablet, notebook ou qualquer outro dispositivo de distração pessoal, enquanto o mestre tenta conduzir uma aventura. Quando chega a vez do tal jogador, ele não sabe nem o que está acontecendo.

Ok, eu sei que celulares, tablets e notebooks não existem a séculos ou milênios, nem o RPG, mas vamos nos ater ao propósito do texto, ok?

O Celular e o Jogador

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Então o cara está lá, distraído com o celular. Provavelmente vendo imagens e vídeos que recebeu no WhatsApp, conferindo sua timeline do Facebook, retuitando o Cassaro e o Trevisan ou jogando Kingdom Rush Origins ou ainda conferindo as novidade do 4tube, vai saber, né?… aí o mestre fala “O que você vai fazer?”, e o jogador, sem saber nada do que está acontecendo manda logo um “Eu ataco!” e já pega os dados para rolar sua melhor manobra de combate contra seja lá quem for e… estanca com a mão no ar, sem entender o motivo de tantas caras de espanto entre seus companheiros de grupo. “Que foi?” ele pergunta, só pra ouvir um “Por que causa, motivo, razão ou circunstância você vai atacar uma criança elfa indefesa que está pedindo ajuda para salvar o seu irmãozinho que foi raptado por um grupo de gnolls?”. (E se você acha que pode ser uma armadilha, não é melhor averiguar antes?)

Pois é, já vi muito disso. Na verdade, e eu não me orgulho de admitir, eu mesmo já fiz muito isso. Afinal de contas, o jogo nem sempre está rolando da forma com que você espera e, bem, você sabe, o celular está ali, apitando e vibrando a cada dez segundos, a luzinha piscando… não tem como resistir, “vou só olhar rapidinho…” e lá se foi a aventura.

E nem precisa ser necessariamente um celular, tablet ou qualquer dispositivo inventado pela Tecnocracia para dominar o mundo. Lembro-me bem de uma aventura em que eu estava mestrando e uma jogadora, no caminho para o local do jogo, encontrou um gatinho abandonado e o acolheu. Lindo o gesto de ajudar o animalzinho, sim, mas todos os jogadores (inclusive eu) ficaram paparicando o bichano e eu não consegui mestrar nada.

Outra vez, um dos jogadores levou uma latinha que, quando você virava ela, ela fazia um barulho parecido com uma vaca mugindo. Apelidamos o item mágico de “vaca enlatada∴“. Foi engraçado no começo, até vaca remix conseguiram fazer sacudindo a latinha pra cima e pra baixo… mas depois a vaca atrapalhou a aventura toda. Quando o clima estava tenso, alguém virava a vaca e todo mundo ria, quebrando o clima e tudo o mais… eu queria matar aquela vaca… mas cada vez que eu a pegava, acabava fazendo um vaca remix

Então, no fim da história, tudo que distrai pode atrapalhar muito o jogo, inclusive namoradas que querem ver como é esse joguinho que você joga, mas fica pedindo a sua atenção de cinco em cinco minutos por se sentir “excluída”… o mesmo vale para namorados.

O fato é que o Mestre tenta trazer para a mesa (ou ao menos deveria) todo o clima que se passa no mundo do jogo. A imersão dos jogadores é uma parte importante da diversão, afinal de contas, se você não presta atenção acaba atrasando o jogo e quebrando o clima, tirando o “tesão” do RPG.

Imersão, aliás, eu diria que é a palavra mais importante do RPG de mesa. Não é à toa que muitos mestres procuram trilhas sonoras, programas de efeito sonoro, imagens para representar os NPCs, criam mapas∴ etc.

tauren-dancandoAqui, na mesa, não temos as imagens coloridas e pulsantes com números e mais números pulando na sua cara como nos MMOs (Nem taurens dançando). Aqui a sua imaginação é a responsável pela qualidade gráfica e jogabilidade!

Então, por favor, largue o celular e se permita entrar no mundo do jogo. Você vai ver que fica bem mais divertido!

O Celular e o Mestre

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Nem só de jogadores viverá a mesa de RPG… e mestres também são humanos, também erram, também esquecem e, infelizmente, também têm celular.

Depois de uma cena em CG (como eu chamo aquelas cenas em que o mestre narra algo e os jogadores só ouvem e prestam atenção até chegar a sua vez de agir), os jogadores começam a discutir como seria a melhor forma de agir.

Todos eles estão agitados, pois as vidas de seus amados personagens estão em jogo, um passo em falso e o Ceifador pode fazer uma visitinha ao grupo, então, quando finalmente decidem o que cada um vai fazer, olham para o mestre e ele está com a cabeça abaixada, um sorriso no rosto iluminado pela telinha do smartphone, teclando alucinadamente com o polegar da mão direita e, ao perceber o silêncio na mesa, ergue seus olhos para um grupo enfurecido, abaixa o celular rapidamente e pergunta “o que vocês decidiram?”, “Decidimos o que acabamos de falar, mas você não ouviu, pois estava no WhatsApp!”.

Se um jogador se distraindo durante a sessão já é ruim, imagina o mestre? É como se todo o mundo do jogo estivesse parado para conferir o “ZapZap“!

orc-celularPeraí cara, tô no Tizap aqui. Dá pra esperar um minuto? – Orc bárbaro, ao ser atacado pelo guerreiro do grupo

Não vou me alongar muito nessa parte, visto que é praticamente a mesma coisa que escrevi para os jogadores, mas achei necessário inserir isso aqui para que ninguém queira usar o meu artigo contra os seus jogadores sendo que ele, como mestre, faz a mesma coisa, ou pior!

Para o mestre, a minha dica é que deixe o seu celular ao lado das anotações, atrás do escudo (se é que usa escudo), com um bom aplicativo de suporte ao RPG aberto. Qual? Ah, aí você vai ter que esperar meu outro artigo.

O Celular é o Vilão?

Respondendo de forma rápida e simples, não!

O celular não é o vilão. O celular, apesar de algumas pessoas pensarem diferente, não tem vontade própria e, muito menos, capacidade de controlar seus usuários.

Aliás, ele pode muito bem ajudar a sessão, com APPs interessantes, como roladores de dados, trilha sonora, etc. (mas isso fica pra outro artigo, ok?).

O problema é que os jogadores tem estado tão distraídos que acabam se esquecendo o porquê de estar ali, sentado com um grupo de amigos ao redor de uma mesa com livros e dados nas mãos, invés de estar em casa jogando horas e mais horas de World of Warcraft, League of Legends ou qualquer outro jogo… Se você não quer estar ali, ninguém está te obrigando!

Se você quer sentar e jogar RPG, faça isso, jogue RPG. Deixe o seu celular no silencioso, ou pelo menos desligue os dados móveis para se concentrar na história que você, junto com seus amigos, está criando. Amém?

E aí, você já teve algum problema com celular ou dispositivos similares na sua mesa de RPG? Comenta aí e nos deixe a sua opinião!

Agora me dá licença que preciso conferir meu Zapzap.

Excelsior!

Oneiros
(en)Rolador em Rolando Dados
Formado em Sistemas de Informação, amante de culinária e RPGista desde 1999, mestre desde... nem se lembra, conhecedor e pesquisador de sistemas de RPG, tem o estranho costume de falar sobre ele mesmo na terceira pessoa... o.O
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