segunda-feira , 24 abril 2017
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Tia Camila Entrevista: Projeto Literário 52 Esquinas!

E aí, galera! Hoje trago para vocês o Projeto 52 Esquinas, dos escritores Fábio Ochôa e R. S. Azevedo. O 52 Esquinas um Projeto Literário de escrita colaborativa, que está trazendo uma nova cara para a literatura fantástica na internet. Eu tive o prazer de bater um bate-papo com os dois escritores e deixo com vocês a entrevista super descontraída com os dois. Espero que curtam, e não deixem de acessar o 52 Esquinas!

 

Rolando Dados: Então, meninos. Nas palavras de vocês, o que é o Projeto 52 Esquinas?

R. S. Azevedo: Eu tenho pra mim que o 52 Esquinas é um projeto que começou bem despretensioso, mais pela vontade de criar e aprender, e vem se tornando cada vez mais consistente em termos de literatura. Pra mim tem sido uma verdadeira escola. (risos)

Fábio Ochôa: Para mim ele pode ser visto de duas maneiras. Uma, como uma brincadeira criativa, onde um autor dá um título e um final do conto e o outro autor tem que criar toda uma história a partir daí. Esse é o aspecto que aparece para o público. O segundo aspecto, é como um aspecto de real colaboração, o que por incrível que pareça é muito raro no campo criativo. Geralmente se trabalha de maneira isolada e verticalizada. Com o  52, você nunca sabe o que vem a seguir, é uma fuga completa da zona de conforto. O que só aumenta o prazer de participar, e claro, o desafio de superar a dificuldade e apresentar um bom conto para o leitor.

 

Rolando: E de onde surgiu a ideia?

Azevedo: A ideia surgiu antes da amizade. A história de como a gente começou a conversar e se conheceu é, ao meu ver, interessante. Mas a ideia em si surgiu em uma dessas primeiras conversas se não na primeira. (pensa um pouco) Creio que na primeira. O Fábio disse que estava com vontade, já havia algum tempo, de escrever algo que tivesse certa liberdade criativa e mais ficcional; perguntou se eu topava começar alguma coisa e voilà! Assim, de primeira mesmo, surgiu a ideia dos contos colaborativos. E ele sugeriu o diferencial: Contos criados a partir de titulo/parágrafo final dado pelo outro

Ochôa: Bom, da minha parte, uma amiga comum me apresentou o trabalho do Rodrigo, que ela considerava muito bom e perguntou se eu tinha algo a dizer a ele. Fui dar uma olhada e era realmente muito bom. Surpreendentemente bom, até. Tivemos uma conversa inicial, onde comentei como o mercado editorial funcionava, e geralmente quando eu falo sobre essas coisas costumam surgir nuvens negras no céu e abutres rondam as metrópoles. Mas fiquei com os contos dele na cabeça. Isso somado ao fato de que, após completar quase uma década vendendo sabonetes no mercado publicitário (Fábio é redator publicitário), estava muito a fim de retomar o trabalho literário. E por que não em parceria? Onde o peso para se carregar é dividido por dois?Veio a ideia do formato, e retomei contato. Ele topou. Sugeri contos, porque são mais rápidos de ler/fazer e é muito melhor fracassar em um conto do que em um livro. Começamos o trabalho conjunto e a maneira como tudo funcionou foi perfeita, tudo em comum acordo, sem egos, brigas, nada, nada, um processo colaborativo no sentido pleno da palavra.

 

Rolando: E como tem sido a reação do público frente ao projeto?

Azevedo: As coisas se desenrolaram tão bem quando começamos, e se maquinaram de uma forma tão espontânea, que até fico na duvida se coincidências existem mesmo. Mas quanto à recepção, nós temos conseguido cada vez mais transmitir a ideia do projeto ao publico. A ideia de serem contos colaborativos que misturam a fantasia a condição humana, e temos encontrado pessoas das mais variadas que apreciam o site – beijos Coreia do Sul.

Ochôa: Nosso próximo objetivo é chegar até a Coreia do Norte. Ou até lugares mais distantes, como Bagé. (interior do RS) Desde o começo, eu tinha em mente que não íamos dominar o mundo. Estávamos trabalhando com um nicho do nicho, literatura, na Internet, literatura fantástica, etc. Se alguém além do Barack Obama lesse, já estaríamos no lucro. Porém a resposta foi bastante surpreendente, estamos com um público crescente e consistente, o que é uma tremenda motivação. E queremos também descobrir quem é nosso único leitor na Coreia do Sul e apertar a mão dele. Ele SEMPRE entra no site.

Azevedo: Eu quero apertar a mão dele e quero um samsung s6. Brincadeira, tô feliz com seu acesso já. Mas pra quem tem em mente que não vai dominar o mundo, chegamos mais longe em termos de fronteira que muita gente que quer dominar o mundo (risos)

Ochôa: O mais assustador é constatar que existe gente que lê português na Coreia do Sul. E de todo um mundo literário para desbravar, de Rui Castro a Bráulio Tavares, ele foi ler logo a gente. Eu não sei se me sinto feliz ou triste por ele.

Azevedo: Eu creio que seja brasileiro. Nós somos as formigas da humanidade, cara. Em qualquer lugar que você for vai existir um Br… Se nos organizássemos, seriamos mais influentes e poderosos que a camarilla ou os maçons.

Rolando: Ps: existem cerca de 400 brasileiros na coreia do sul atualmente.

Ochôa: Um deles lê a gente. Mas em meu coração eu sei que ele é coreano.

Azevedo: Coreano ou Brasileiro, saiba que é muito querido. Viu! Se os coreanos acreditam na gente, não percamos as esperanças!

 

Rolando: E qual o sentimento de vocês diante do projeto? O que mexeu em vocês?

Ochôa: Bom, quanto ao que mudou, da minha parte, foi como reenergizar completamente as baterias criativas. O que óbvio teve repercussões em N outros projetos.

Azevedo: Nossa, dificil elencar o que mudou pra mim… O que mudou foi que, desde que comecei a escrever pro 52 esquinas, eu tenho estado muito mais em contato com o que eu quero fazer da minha vida. Eu decidi que quero me envolver com coisas criativas e isso deu mais certeza nas coisas que escolhi. Eu nunca escrevi de fato. Minha primeira experiencia é essa. O conto que o fabio leu e que nos colocou em contato nem era meu! Mentira, era meu sim, mas foi meu segundo conto, sabe? Eu entrei nesse projeto totalmente cru e amadureci de uma forma absurda. Lembrando que “amadurecer de uma forma absurda” não significa “sei o que estou fazendo e sou bom nisso”. 9risos)

Ochôa: É interessante que é quase um chamado, não? Eu detesto falar isso porque parece aquelas coisas de verdade pessoal do Paulo Coelho. Mas você sempre tem a certeza interna do que quer realmente fazer da vida. E no caso da gente, é… Contar histórias, independente da maneira que seja.

Azevedo: Sim, exatamente, e começar o 52 (para os íntimos) me levou a essa afirmação de que quero isso pra mim.

Ochôa: Provavelmente há 12 milhões de anos iríamos estar na volta de alguma fogueira, inventando alguma narrativa.

Azevedo: E me deu a coragem necessária pra enfrentar a fome que sei que vou passar no futuro.

Ochôa: Espero que isso não deponha contra mim, quando morrer e ir para o julgamento divino. Vou jogar a culpa no coreano.

 

Rolando: Fora o 52 (vou me considerar íntima já), quais outros projetos pessoais vocês estão tocando no momento?

Azevedo: Eu estou numa batalha ferrenha contra a Fuvest no momento. Além disso, existem mais alguns que eu e o Fábio temos conversado, mas que deixo a cargo dele revelar ou não. (risos)

Ochôa: Bom, estou desenvolvendo com mais 7 amigos uma revista em quadrinhos digital, com HQs criadas a partir de um sorteio aleatório, em uma lógica semelhante à do 52. Se tudo correr bem, ela deve ir ao ar em dezembro (o que é uma época ótima para estrear qualquer coisa, porque todo mundo está pensando no Natal e não está prestando atenção em nada). Estou finalizando também o meu primeiro livro de contos, que estava parado há 3 anos no fundo da HD e da gaveta, tudo culpa do 52 que voltou a acordar o monstro.

Azevedo: E algumas coisas relacionadas ao próprio 52 Esquinas que irão explodir cabeças, mas não posso falar porque eles estão atrás de mim.

Ochôa: E, claro, há a ideia de levar o 52 para o Netflix. O que estamos pensando bem cuidadosamente, para propor em 2016.

Azevedo: Em primeira mão pra vocês!

Ochôa: Notícia exclusiva! Chora Coreia!

Azevedo: Os coreanos não viram de onde essa veio! E alem disso, existe sempre a vontade de invadir outras mídias. Entao, youtubius e podcasts da vida, aguardem.

Ochôa: Sim, sim, há outro projeto bem diferente e interessante, que estamos pensando. Que conversamos em nossas horas vagas. Mais ou menos uma ou duas a cada três semanas.

 

Rolando: Para encerrarmos, algum último recado?

Ochôa: Comprem leite.

Azevedo: E na volta do mercado leiam um conto

Ochôa: Sim, conheçam o 52 Esquinas e se gostarem, voltem sempre.

Azevedo: Aliás, contos em caixas de leite, ta aí um mercado a ser explorado.

Ochôa: E se gostarem muito, recomendem para os amigos e conversem com a gente, somos simpáticos, legais, bacanas e adoramos conversar com gente legal.

Azevedo: E se não gostarem, divulguem mais ainda. Sempre tem alguém que gosta

Ochôa: E ao dizer bacanas, acabo de entregar minha idade com essa gíria geriátrica.

Azevedo: Que nada, bacana voltou com tudo.

Ochôa: Ah, e nos projetos paralelos, cito também o Pastel Nerd, site de cultura pop mais polêmico que mamilos, que mantenho também com convivas para lá de legais. E eu gostei da ideia de contos em caixas de leite.

Azevedo: Ah, alem disso, curtam nossa Página no Facebook, lá vocês ficam sabendo de contos novos e antigos e em breve vai rolar uma promoção pra lá de supimpa!

Ochôa: Uma noite de prazer e luxúria com os autores. Aguardem.

Rolando: Obrigada, meninos! Sucesso pra vocês! E eu também curti a ideia dos contos nas caixas de leite! E podemos expandir para embalagens de shampoo!

Ochôa: Nós que agradecemos, Camila.

Azevedo: Sim, sim, foi um prazer.

 

Então, agora todo mundo grudado lá no 52 Esquinas para não perder nenhum conto! Até a próxima!

Camila Gamino
Amo RPG, Cosplay, HQ's, Mangás, Animes, Seriados, Pedagogia, Psicologia, Língua Portuguesa e Futebol. Feminista com orgulho, chora haters.
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